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Pirate Week- Continua a contestação e comerciantes de Armação de Pêra formam associação

A realização do Pirate Week e de outros eventos que trazem a Armação de Pêra dezenas de vendedores ambulantes no auge do verão, causou a revolta de comerciantes e lojistas locais.
Este movimento levou à fundação, no mês de março, da Associação de Comerciantes de Armação de Pêra.
A poucos meses do verão, a Polis Apoteose, a entidade organizadora, diz não ter definida a data de realização do evento.
A Câmara Municipal há meses que solicita à Polis Apoteose que forneça documentação financeira, sem obter respostas.

Em dezembro de 2016, um grupo de mais de 50 comerciantes e lojistas de Armação de Pêra tornou público o seu descontentamento com o modo como o Pirate Week estava a ser organizado.
Contestavam essencialmente: que o mesmo se realizasse em agosto, numa altura “em que as pessoas já cá estão”; e que criasse uma “concorrência desleal” com a presença de dezenas de expositores e vendedores ambulantes.

Os argumentos continuam a ser válidos, como disse ao Terra Ruiva, António Caixinha, um dos impulsionadores deste protesto.

 

“Não somos contra a realização dos eventos. Eventos sim, mas que não arrastem comércio atrás que venha concorrer com aqueles que estão cá todo o ano”, afirma, reforçando que o seu objetivo é o de “defender os interesses dos comerciantes de Armação de Pêra e os interesses da terra”.
Quanto aos de fora, que “se fixem cá, é o que queremos, para sentirem a camisola como nós sentimos”, afirma.
E é justamente para defender os interesses dos comerciantes e empresários locais que em março foi constituída a CLA- Associação de Comerciantes de Armação de Pêra que tem António Caixinha como presidente da Assembleia Geral; Luís Santos como presidente da Direção; e João Ribeiro como presidente do Conselho Fiscal.
À data desta conversa (3 de abril), a Associação estava ainda a preparar a sua apresentação pública e aguardava a convocação de uma reunião com a Câmara Municipal de Silves e representantes da Polis Apoteose e da Junta de Freguesia de Armação de Pêra, entidade que participa na organização e apoio ao evento.

Data ainda não está definida
A data do Pirate Week ainda não está definida, o que deverá acontecer “até ao final deste mês”, disse ao Terra Ruiva, Noel Vieira, presidente da Associação Polis Apoteose.
Segundo este responsável, a associação tem mantido um “diálogo com todos os parceiros” e “procurado ajustar vários aspetos da organização, para encontrar um modelo que defenda todas as partes”.
Para Noel Vieira as “preocupações dos comerciantes são legítimas”, mas considera que há algumas “limitações logísticas” que condicionam as datas a escolher. “Tem de ser num período em que as aulas não estejam a decorrer, pela necessidade de utilização desse espaço”, diz.
Questionado sobre as dúvidas que têm sido levantadas quanto aos resultados financeiros provenientes do evento e por que razão os mesmos não são divulgados, o presidente da Polis Apoteose afirmou que inicialmente a associação não dispunha de contabilidade organizada, por não ultrapassar os 100.000€ de faturação, mas que entretanto já contratou uma empresa com essa finalidade e que tem facultado à Câmara Municipal “todos os elementos que estão ao nosso alcance”.

Câmara quer os relatórios financeiros
Esta não é certamente a opinião da Câmara Municipal que tem insistido por diversas vezes que a Associação Polis Apoteose tem de apresentar os relatórios financeiros referentes às edições de 2015 e 2016 do Pirate Week, por ter tido apoio por parte da autarquia.
Em setembro, após aquela que foi a 3ª edição do Pirate Week, a autarquia solicitou que a associação enviasse essa informação. Em dezembro, a informação ainda não chegara à Câmara Municipal, mas chega entretanto o já referido abaixo-assinado dos comerciantes que também levanta uma questão: é aquele um evento realizado por uma associação pública ou privada? E se é uma associação privada em que medida pode/deve ser apoiada por entidades públicas?
Assim, em fevereiro de 2017, a Câmara de Silves volta a requerer à Polis Apoteose que envie por escrito as informações pedidas. O Município de Silves procura saber as condições e termos em que a atividade se desenvolveu, nos anos de 2015 e 2016, questionando nomeadamente o número de expositores; os critérios e fatores de seleção dos mesmos; o valor da jóia de inscrição cobrada; os mecanismos usados para contabilizar o número de visitantes; os cachets cobrados aos grupos e artistas participantes; ou ainda as medidas de prevenção tomadas para garantir a segurança de pessoas e bens.

Na deliberação aprovada pelos vereadores da CDU e do PS e a abstenção dos vereadores do PSD, a autarquia recomenda à Associação Polis Apoteose e à Junta de Freguesia de Armação de Pêra que ponderem e revejam os termos em que são realizados os eventos: Pirate Week, organizado pela Polis Apoteose e Junta de Freguesia de Armação de Pêra, com o apoio da Câmara Municipal; SAMCK (julho) organizado pela Junta de Freguesia de Armação de Pêra e APEXA; e FAGAP- Feira de Artesanato e Gastronomia de Armação de Pêra, organizada no final de agosto e princípio de setembro, pela Junta de Freguesia de Armação de Pêra e Andarte (associação de Matosinhos).
Entretanto, a Polis Apoteose adiantou que estaria disponível para se deslocar a uma reunião da Câmara Municipal, juntamente com o presidente da Junta de Freguesia de Armação de Pêra, Ricardo Pinto, para esclarecer as questões levantadas pela autarquia.
Segundo o Terra Ruiva sabe, a autarquia concordou com esta reunião, para a qual serão ainda convidados os comerciantes, mas colocou como condição que a Polis Apoteose enviasse previamente os relatórios financeiros já pedidos para que a vereação tivesse tempo para os analisar e preparar devidamente a reunião.

Mas continua a aguardar…

Polis ApotSegundo a leitura da autarquia, a Polis Apoteose é “obrigada por força da lei a prestar toda a informação solicitada” e o “eventual incumprimento dá azo ao cancelamento de apoios financeiros no futuro”.
Diz a autarquia que “apesar de não concordar com as datas e condições” do evento, o mesmo tem sido apoiado através, nomeadamente, da isenção de pagamento da licença de ocupação de via pública e da licença especial de ruído, o que perfaz cerca de 20.000€, além de outros apoios logísticos.
Chama-se ainda a atenção para o facto de a Polis Apoteose solicitar à Câmara a isenção de pagamento de taxas, para não “desincentivar” os vendedores e expositores, quando a própria associação cobra depois valores significativos por essa participação.

E dá lucro ou prejuízo?
E dá lucro ou prejuízo, o Pirate Week?- questiona o Terra Ruiva. O presidente da Polis Apoteose diz que a associação trabalha para se auto-sustentar, sem depender de apoios externos, sendo que desde 2014 não se candidata aos programas de apoio às associações que a Câmara Municipal de Silves disponibiliza.
“Não temos visto necessidade de recorrer a esses apoios”, diz, numa resposta que talvez esclareça a questão colocada. “Queremos evitar usar os dinheiros públicos tanto quanto possível, fazemos um evento que acrescenta valor ao território e as pessoas que vêm participar reconhecem esse valor e estão disponíveis para contribuir”.

Assim, o futuro do evento e as condições de realização do mesmo estão por enquanto em aberto.

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