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A Escola Industrial e Comercial – Mudança para o Largo da República

Em Silves, no edifício da Câmara, encontra-se patente, até ao final do mês de março, a Exposição do Arquivo Municipal com o tema “A Escola Industrial e Comercial – Mudança para o Largo da República”. A exposição é acompanhada de imagens e documentos.

O Terra Ruiva colabora com esta iniciativa do Arquivo Municipal publicando uma versão resumida do texto da exposição. A versão integral está disponível aqui: Exposição_DM_março

A Escola Industrial e Comercial – Mudança para o Largo da República

A Escola Industrial e Comercial João de Deus, inaugurada a 5 de outubro de 1920, foi inicialmente instalada no edifício do gaveto da Rua Cândido dos Reis e Rua Latino Coelho. ( Ver edição de janeiro do Terra Ruiva).
No ano letivo de 1930/31 foi transferida para a Rua João de Deus. (Ver edição de fevereiro do Terra Ruiva).

 

Ao fim de duas décadas na Rua João de Deus o edifício tornou-se obsoleto. Por conseguinte, na reunião da Câmara Municipal realizada no dia 14 de abril de 1947, a autarquia deliberou “solicitar a construção de um novo edificio para a “Escola Industrial e Comercial João de Deus”, comprometendo-se a oferecer o terreno “que fôr necessário, do terreno que já possue proximo do Jardim Municipal e das escolas de ensino primário oficial”.
O Ministério da Educação Nacional publica, a 25 de Agosto de 1948, o Decreto n.º 37029, que promulgou o Estatuto do Ensino Profissional Industrial e Comercial, provocando a grande reforma do ensino técnico-profissional. Data desta altura, a decisão inexplicável do Governo, de suprimir o nome do Patrono, passando a designar-se somente Escola Industrial e Comercial de Silves.
Ao abrigo daquele decreto, na Escola Industrial e Comercial de Silves eram lecionados os seguintes cursos: o Ciclo Preparatório elementar, de educação e pré-aprendizagem geral, em dois anos, os Cursos Complementares de Aprendizagem do Comércio e de Eletricista, de quatro anos, os Cursos de Formação Industrial de Serralheiro, de Carpinteiro-marceneiro e Costura e Bordados, com oficinas de rendeira, de três anos. Foi necessário criar uma extensão da escola para várias casas em redor, funcionando as oficinas em telheiros e o ginásio num enorme barracão.

Ainda assim, na reunião da Câmara, de 24 de outubro de 1952, o presidente, Luís Gordinho Moreira, propôs a criação do Curso Geral do Comércio considerando que “é antiga aspiração do concelho” e considerando que se justifica «não só pela muita frequência da escola, mas tambem porque concluidos o “Porto de Portimão” e “Barragem do Arade”, o comercio da zona se desenvolverá extraordinariamente e, em grande parte, o comercio de exportação de mercadorias para mercados estrangeiros». A proposta foi aprovada por unanimidade. Por conseguinte foi criada uma Comissão para a elaboração de uma representação respeitante à criação do Curso Geral do Comércio e sua inclusão no plano da Escola Industrial e Comercial.
Esta representação foi entregue ao Ministro da Educação Nacional, Fernando Andrade Pires de Lima, encabeçada por Luís Gordinho Moreira, enquanto presidente da Câmara e diretor da Escola, acompanhado pelo Governador Civil do distrito, Dr. Manuel da Sárrea Tavares Mascarenhas Gaivão.
Em agosto de 1953 é autorizada “a criação na Escola Industrial e Comercial de Silves o curso geral de comércio em substituição do curso de carpinteiro-marceneiro”.

Produto da Reforma do Ensino Técnico Profissional de 1948 é também o Curso de Formação Feminina criado para substituir os cursos de costura e bordados e de rendeira. Os conteúdos dos cursos específicos para a formação das raparigas tinham como objetivo dar-lhes os conhecimentos necessários para serem boas esposas e mães pelo que aprendiam a organizar a casa, a dirigir o orçamento familiar, a cozinhar, a confecionar peças de roupa, a bordar e a cuidar de bebés. Tinham ainda as disciplinas de caráter geral, como Português, Francês, Matemática, Geografia, Dactilografia, de entre outras, bem como atividades circum-escolares.

Em 1954 é nomeado Diretor da Escola o Dr. José Correia, cargo que exerceu até 1965, tendo acompanhado todo o processo da construção do novo edifício, sendo seu diretor aquando a mudança.

As obras de construção da vulgarmente conhecida por Escola Nova começaram a 7 de novembro de 1956 e ficaram concluídas a 31 de março de 1959.

De frequência mista, o edifício foi concebido para acolher mil alunos e ocupa uma área de terreno de 21.000 m2, possuindo 4.598 m2 de área coberta e 7.997 m2 de pavimento. O custo das instalações importou em cerca de 60 mil euros (12 mil contos).
A 19 de julho de 1959 foram oficialmente inauguradas as novas instalações, no Largo da República, em frente ao jardim da cidade, no lugar onde anteriormente era instalada a esplanada-cinema de João José Duarte. A Escola Técnica era uma realidade, onde hoje se mantém, com a denominação de Escola Secundária de Silves.

Grupo de alunos na “Escola Nova”

A 4 de novembro de 1970, a Câmara solicitou ao Ministério da Educação Nacional a criação na Escola de uma Secção Agrícola. Tal pretensão não terá sido concretizada. Com a Revolução de abril de 1974, foram criadas as Escolas Secundárias, concretizando-se novas diretrizes pedagógicas.

Em 1977 a escola, construída para mil alunos, era frequentada por cerca de dois mil. Neste sentido, a Escola pediu a colaboração da Câmara para a ampliação do edifício. Face ao exposto a Câmara deliberou “oficiar à Direção Geral das Construções Escolares sobre o assunto” solicitando autorização para comparticipação desta obra.

Para corresponder às exigências pedagógicas e da sociedade contemporânea a Escola sempre primou pela qualidade do corpo docente. Fizeram parte do corpo docente, personalidades que se destacaram também na esfera cultural silvense: Dr. José Emílio de Mendonça Vila Lobos, Pintor Samora Barros, Dr. José António Cristina Monteiro, Dr. Francisco Vieira, Dr. Pedro Paulo Mascarenhas Júdice, Eng. Carlos Filipe Pinto Pimentel, Escultor João José Gomes, Dr. Luís Gordinho Moreira, Dr. José Vitorino Formosinho Mealha, entre muitos outros.
Por sua vez, exerceram o cargo de Diretor, Sub-diretor, Presidente do Conselho Diretivo ou Diretor do Conselho Executivo, e no novo edifício, os seguintes professores: Dr. António Francisco da Cruz (1965 a 1969); Dr. José Vitorino Formosinho Mealha (1969 a 1974); Dr. Jorge Ribeiro da Silva Pereira (1974 a 1976); Dr. Elias dos Santos Irio (1976 a 1978); Dr. José Fernandes Leal (1978 a 1980, 1985 a 1987 e 1988 a 1989); Dr. Carlos Alves Taveira Oliveira (1980 a 1982); Dra. Filomena Fátima da Conceição J. G. Oliveira (1982 a 1985); Dra. Maria das Dores Jorge de Góis (1987 a 1988); Dr. José Águas Carriço (1989 a 1990); Dr. Felisberto José Caetano Grave (1990 a 1992); Dra. Maria Isabel Fernandes da Silva Soares (1992 a 1998); Dr. Eduardo José Guerreiro E. Nunes da Silva (1998 a 1999); e Professor João António Mourinho Vieira Gomes (desde 1999).
De entre os seus alunos destaca-se a ilustre pintora e ilustradora Maria Keil; o vice-presidente da Assembleia da República e dirigente do Partido Comunista Português, José Rodrigues Vitoriano; o poeta, jornalista e dramaturgo João Brás; o futebolista Rui Bento; o atleta campeão nacional Carlos Calado; o compositor e músico Zé da Ponte e a cantora Aurea, entre outros.
Já no século XXI o edifício e recinto da escola, volvidos 50 anos de atividade, careciam de uma intervenção. Em 2010 tiveram inicio as obras de requalificação da Escola Secundária de Silves, a cargo da empresa pública Parque Escolar. A 10 de setembro de 2015, a Parque Escolar anunciou a conclusão das obras.
Durante o período de intervenção, cerca de cinco anos, as aulas decorreram em contentores e outras instalações provisorias. O Projeto, cujo custo aproximado rondou os 12 milhões de euros, contemplou um conjunto de quatro novos edifícios justapostos ao existente, assumindo uma nova entrada e respetiva portaria e sala polivalente. Após a requalificação, a capacidade da Escola é de cerca de trinta e nove turmas e cerca de oitocentos alunos.

Projeto da Escola Secundária de Silves, tal como é hoje

A Escola, desde o início da sua atividade, representa uma instituição de enorme notoriedade e importância para a vida cultural e social da cidade de Silves, bem como de merecido prestígio ao formar gerações de alunos imbuídos de saberes e competências multidisciplinares. Todas as gerações de alunos que a frequentaram orgulham-se e reveem-se nesta escola, ao longo de toda a vida.

 

 

 

 

Bibliografia:
GOMES, Rogélio Mena e MOURINHO, Manuel José, Escola Industrial e Comercial “João de Deus” Nótulas para a sua História.

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