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Normalidades

O final do mês de Janeiro veio trazer uma inesperada normalidade à política concelhia.
De facto, um dos elementos que este ano de 2017 deveria trazer, para lá de uma oposição mais desperta e presente, seria um executivo mais feérico dos seus feitos (grandes ou pequenos).
Refiro-me, como não podia deixar de ser, ao boletim municipal que veio à estampa neste final de Janeiro e foi, amplamente, divulgado em Fevereiro.
Claro está, que este assunto não é novo, uma vez que este é o segundo boletim que o executivo silvense publica e é uma “tradição” de todos os executivos: no ano das eleições fazer uma publicação que faça uma síntese (mais ou menos completa) do que foi a sua actividade em prol das populações e da defesa do interesse público. E se críticas se pode fazer neste ponto, a mesma prende-se com a falta de coerência de quem criticava estas publicações e, neste momento, faz precisamente o mesmo (talvez de forma mais acentuada, uma vez que os executivos anteriores faziam boletins mensais).
Na minha opinião estes meios de comunicação são importantes e, para lá de alguma campanha encapotada, constituem um recurso interessante na forma de comunicar de uma autarquia. Porém, deverão os mesmos assegurar a democraticidade e representatividade, dando espaço a outras foças políticas para se expressar. Tal é sinal de maturidade democrática e de compreensão do papel da oposição na construção do bem público. Recordo que este princípio guiou outros executivos anteriores.
Mas olhando para o conteúdo do boletim, se quisermos para aquilo que lá está. De facto, houve várias realizações, mas nada de novo ou de substancialmente diferente do que já se fazia. Se quisermos alguma densificação de actividades já efectuadas há anos, ou mais concretizações de projectos/associações, a que o Município aderiu. De resto nada de extraordinário.
Fica-me aquela estranha sensação de que o mais interessante do boletim ficou de fora. Aquilo que devia colocar a tónica não mereceu a dignidade de ser notícia (e repare-se que no boletim havia notícias mais pequenas que os seus títulos). Esperava ver um grande destaque para o plano estratégico para a cultura e turismo. Esta sim seria a grande notícia do boletim: perspectivar o futuro, enquadrar a acção e estimular os agentes.

Quando olhamos para as realizações associadas à laranja, elemento de maior importância para a consolidação de uma estratégia de marketing territorial, sempre pensei que isso estaria incluído nesse importante documento, fundamental para Silves. Honestamente fiquei feliz quando a Dr.ª Rosa Palma anunciou no mesmo o plano estratégico para a cultura e turismo. Três anos volvidos, nada apareceu. Apenas se pode concluir que se optam por produtos óbvios e já trabalhados por outros executivos, mantendo-se a forma casuística e desintegrada com que se aborda o tema. O mesmo se diga para a Feira Medieval que, ao fim de mais de uma década não é debatida, repensada e, porque não, reenquadrada.
Peço desculpa aos leitores bater neste ponto (estratégias e com a aleatoriedade da gestão), mas estes são temas que me são caros por defeito, ou virtude, profissional.

Mais estranho este boletim me pareceu, quando nem uma linha se ocupou para lançar na opinião pública de Silves, o debate sobre a importante e desafiante transferência de competências que aí vem e que irá mudar a intervenção dos municípios em mais aspectos societários. Este será o grande assunto que a todos vai afectar e sobre o qual ninguém deve ficar indiferente.

Coerente com uma cidadania activa, deixo este repto para todos, inclusive para este jornal: porque não organizar um debate concelhio sobre a transferência de competências?
Estamos na Quaresma, aproveitemos este tempo de interioridade e de reflexão para pensarmos o nosso Concelho e município, já que em breve iremos ouvir todas as forças políticas em acesas campanhas onde o bem desta terra será o tema fundamental.

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