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Entrevista a Luís Cabrita, presidente da Junta de Freguesia de São Marcos da Serra

“A criação de emprego é um dos grandes problemas da Freguesia”

Luís Cabrita cumpre o seu primeiro mandato enquanto presidente da Junta de Freguesia de S. Marcos da Serra. Independente, eleito pelo PSD, este comerciante de 41 anos há muito que andava nas lides autárquicas antes de ser eleito presidente de uma enorme freguesia, com pouca população e todos os problemas da interioridade.
Ainda assim, acredita que a Freguesia tem capacidade para atrair investimento e criar emprego.

Luís Cabrita

 

 

Antes de ser eleito nas últimas autárquicas, candidatou-se várias vezes à Junta de Freguesia de S. Marcos da Serra. O que motivou a concorrer?
A primeira vez que me candidatei era muito jovem e fiquei muito surpreendido quando fui convidado. Desde então comecei a acompanhar mais a vida política e a pensar que poderia fazer algo pela população desta freguesia, o que tem vindo a motivar as minhas sucessivas candidaturas.

 

 

Ocupa um cargo difícil, estamos numa enorme freguesia, com problemas muito concretos, quais os que mais destaca?
Sendo uma freguesia do interior, com uma enorme área, os problemas que mais se destacam são a manutenção dos caminhos de terra batida e a população dispersa e envelhecida. Debatemo-nos assim com o problema da desertificação e da falta de meios de transporte públicos, bem como o acesso facilitado aos cuidados básicos de saúde.

Apesar de termos um centro de dia com boas condições, era mesmo necessário um lar de terceira idade que seria uma mais valia tanto a nível do serviço que iria ser prestado como com a criação de emprego, que é também um dos grandes problemas da Freguesia.

Dentro daquilo que é possível a Junta fazer o que mais tem sido feito?
Temos tentado efetuar a manutenção dos nossos caminhos de terra batida o melhor possível, o que nem sempre é fácil devido à sua extensão. A Junta tem também a limpeza urbana, a manutenção dos jardins e fazemos o transporte dos habitantes da Freguesia de aglomerados populacionais mais afastados para a sede de freguesia, dois dias por semana. Tentamos dar também todo o apoio às nossas escolas e associações, dos quais estamos muito próximos e sempre que nos é pedido apoio, nós tentamos ir de encontro às suas necessidades.
A nível social temos tido um papel importante na sinalização de famílias carenciadas que estão a ser acompanhadas e ajudadas pela Cruz Vermelha e pelo setor de ação social do Município de Silves, que têm desempenhado um ótimo trabalho.

Há pouco já falou disso, dos grandes problemas das freguesias do interior: falta de transportes públicos, serviços de saúde fracos ou inexistentes. Aqui no caso de S. Marcos já teve um quartel de bombeiros que está fechado, a única farmácia ameaça fechar portas… Como vê estes problemas e como seria possível combate-los?
Estes problemas são devidos, fundamentalmente, à falta de fixação de pessoas na Freguesia e à desertificação que tem vindo a acontecer ao longo dos anos. Seria possível combate-los através da fixação de empresas que viessem criar postos de trabalho e isso traria um aumento da população, que possivelmente se fixaria na Freguesia.
Em relação ao quartel dos bombeiros, apesar de estar fechado, já há alguns anos, desde 2014, no período de 1 de julho a 30 de setembro o Município de Silves juntamente com o ANCP e os Bombeiros de São Bartolomeu de Messines e de Silves dispõe de uma equipa permanente de combate a incêndios florestais. Essa equipa tem sido importante para evitar piores situações do que aquelas que têm acontecido.

Apesar da interioridade, a freguesia de S. Marcos da Serra tem alguns eventos que se têm tornado conhecidos e que atraem muitas pessoas, como a Feira do Folar e agora os Atalhos do Remexido. Qual é a participação da Junta nesses eventos?
No caso da Feira do Folar, a Junta de Freguesia colabora com a entidade organizadora que é a Câmara de Silves com a elaboração do programa, com a colocação de sinalética, com a divulgação, cedência de instalações para reuniões com os expositores e com o secretariado nos dias da realização do evento.
Em relação ao evento “Por Atalhos do Remexido”, que tem este ano a sua 2ª edição, desde a nossa primeira reunião com a organização do evento que apoiamos com grande entusiasmo a iniciativa, porque a forma como foi apresentado o projeto transmitiu-me a sensação que iria ser um evento que poderia ganhar dimensão e isso é sempre importante para uma Freguesia como a nossa. O nosso apoio a este evento foi dado através da impressão de cartazes, divulgação e logística.

Falando um pouco da organização da própria Junta. Quantos funcionários tem?
A Junta de Freguesia tem 10 funcionários e um funcionário da Câmara de Silves que está ao nosso serviço.
Qual o orçamento de que dispõe e quais são as rubricas em que gasta mais?
Atualmente dispomos de um orçamento aproximado dos 197 mil euros. Dessa importância, 75% do seu valor é despendido com encargos com os funcionários. Destaca-se também os gastos com combustíveis, que ronda os 5% do orçamento e conservação de bens que ronda os 2,5%.

É um orçamento pouco ambicioso porque o poder de investimento é somente de 8%.

Neste caso quais são as competências da Junta?
Tem as competências próprias das juntas de freguesia, mais as delegadas através da celebração do contrato interadministrativo e do acordo de execução de delegação de competências, que as juntas fizeram com a Câmara Municipal. Que são a manutenção de caminhos rurais, a limpeza urbana, a manutenção de jardins e cemitério.

Temos estado a falar dos problemas, voltemos a conversa para as potencialidades. Há alguns anos, com o anterior executivo PSD, começou-se a fazer o Museu do Azeite, que também deveria ter uma pousada. Isso parou tudo. Pensa que a obra deve continuar ou deve ser reconvertida para outra situação?
Penso que a obra deve ser concluída. Em relação à continuidade ou reconversão da obra, há algum tempo atrás tivemos uma visita ao local pela senhora presidente Rosa Palma e vereadores da Câmara de Silves e também responsáveis da ARS e da Segurança Social e estivemos a analisar a possibilidade de instalar nesse espaço de uma unidade de cuidados continuados. O que, para S. Marcos da Serra, poderia ser uma mais valia a nível da criação de postos de trabalho e também seria benéfico para a economia local.
Uma outra coisa que muito se tem falado ao longo dos anos é da construção de uma praia fluvial em S. Marcos da Serra. Como é que vê esse projeto?
A praia fluvial é um projeto aliciante para a nossa Freguesia, tanto para a dinâmica do comércio local como para usufruto da nossa população e para atração de visitantes, mas a sua realização não tem sido possível até agora.

No sentido de colmatar este problema vamos entregar um projeto no Município de Silves para a construção de um espaço de lazer com espelho de água/piscina. É um projeto diferente do que tem sido falado,

mas embora não seja uma praia fluvial irá também atrair visitantes e será com certeza muito do agrado da nossa população que passará a ter um espaço para momentos de lazer. E pode ter uma boa influência no comércio local, ao atrair mais pessoas e de fora.
A Câmara Municipal está a construir em S. Marcos da Serra, um espaço multiusos, que julgo que a Junta também concordou que era uma prioridade. O que pensa desta obra?
Esta obra é uma mais valia para a Freguesia, uma vez que era um espaço que estava mal aproveitado e assim poderá ser utilizado para vários fins, tais como a utilização por parte do jardim de infância e da escola EB 1 durante o período escolar, bem como para a prática desportiva, realização de festas de verão e outros eventos que surjam.
Quando há umas semanas publiquei no nosso site a notícia da construção deste espaço multiusos, houve uma pessoa que deixou um comentário a dizer “até que enfim que pensam nos jovens”. E se calhar era uma crítica justa porque quando estamos numa freguesia muito envelhecida, como S. Marcos pode haver tendência de esquecer os jovens. Mas como é possível fixar jovens em S. Marcos da Serra?
Quando se fala em fixar jovens em São Marcos da Serra, lembro-me do tempo em que andava na escola e poucos são os meus amigos e colegas que por cá ficaram, porque tiveram de ir à procura de emprego e melhores condições de vida. Nós podemos criar espaços como o de multiusos, que estávamos a falar, criar o espelho de água/piscina que a Junta de Freguesia gostava de ver nascer, e tudo isso é positivo para a freguesia.

Contudo a fixação de jovens só pode acontecer com a criação de postos de trabalho.

Está tudo ligado, a fixação de jovens e a possibilidade de atrair investimento para esta zona, será possível? E que tipo de investimento?
Sim, é possível, mas tudo depende do investimento privado. Até ao momento tem havido reuniões com potenciais interessados em realizar candidaturas ao PDR 2020, através da associação In Loco e do NERA.
Estas candidaturas estão direcionadas para o turismo, agricultura e produtos regionais. No sentido de alavancar o turismo na Freguesia pretendemos candidatar-nos ao programa de renovação das aldeias e sendo esta entidade proprietária de um edifício no Largo da Igreja, pensamos implementar um espaço de informação turística dotado com um museu e uma biblioteca.

Aliado a isto pretende-se também criar dois percursos pedestres, um urbano e outro nas imediações da aldeia. Pedimos apoio à Câmara de Silves para poder efetuar a candidatura ao programa de renovação das aldeias. Pedimos apoio ao Município de Silves para a elaboração de um projeto de requalificação do edifício e penso que todas estas medidas poderão ter algum efeito.

Está a poucos meses de terminar este mandato enquanto presidente da Junta. Que balanço faz deste mandato?
Faço um balanço positivo. É certo que na qualidade de Presidente da Junta e o restante executivo ambicionamos mais para a Freguesia, mas sentimo-nos satisfeitos quando as metas são atingidas. Contudo, quero fazer refletir a falta de mais condições, serviços e infraestruturas para que não se verifique cada vez mais a tendência de perda da população.
E a nível pessoal, como está a ser esta experiência de ser presidente da Junta? É um trabalho muito cansativo e exigente…
Para quem gosta de fazer algo em prol da causa pública, como é o meu caso, posso dizer que a nível pessoal é gratificante quando vejo as coisas positivas surgirem. Não deixa de ser um trabalho cansativo e exigente, mas é através de trabalho e dedicação que vamos satisfazendo as necessidades da população.
Queria expressar também a importância do apoio que o restante executivo me tem dado, como também de todos os funcionários que têm sido fundamentais para que o meu trabalho traga os resultados esperados.
Vai voltar a candidatar-se?
No que respeita a uma possível recandidatura, a seu tempo e depois de decidir em consciência comigo próprio, será anunciada a minha decisão.

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