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Recordar o Ultimato Inglês – reações em Silves e S.B. de Messines!

Os meses de janeiro e fevereiro de 1890 foram vividos pelos portugueses de uma forma intensa e tumultuosa. Portugal pretendia exercer a soberania dos povos que se localizavam entre as colónias de Angola e Moçambique, ou seja, unir aqueles dois territórios, entre si, conforme elencado Mapa Cor-de-rosa, traçado em 1886. Tal objetivo colidia, porém, com as pretensões da Grã-Bretanha que aspirava ao domínio de uma faixa terrestre entre o Egito e a África do Sul, regiões que pretendia ligar através de uma linha ferroviária.
O governo inglês ao ter conhecimento, em 11/01/1890, que o explorador português Serpa Pinto ocupava uma área junto ao lago Niassa, em Moçambique, cobiçada e monitorizada pelos ingleses, exigiu a Portugal a sua retirada imediata, ameaçando com o corte de relações diplomáticas.

O rei D. Carlos reuniu nessa mesma noite o Conselho de Estado e face à rutura iminente de relações com a Grã-Bretanha foi resolvido que o país deveria ceder às exigências formuladas. Tal atitude veio a indignar a maioria dos portugueses, ocorrendo uma explosão de fervor patriótico, com manifestações, de norte a sul do país.

O Algarve não se alheou à «grande afronta nacional», houve protestos em várias localidades, entre as quais, Silves e S. B. de Messines.

Manifestações que a imprensa diária nacional, como o jornal republicano “O Século”, propalaram com vigor.

Em Silves, mais de 2 000 pessoas, “sem distinção de cores politicas”, reuniram-se em assembleia, a 17 de janeiro, na qual “resolveram manifestar ao paiz os seus sentimentos do mais arreigado patriotismo, ferido agora pela violenta expoliação da Inglaterra”. Após a reunião vários grupos acompanhados da bandeira nacional, coberta de crepe, prosseguiram pelas ruas da cidade, dando vivas patrióticos, a Portugal, a Serpa Pinto, classe académica e à imprensa, num ambiente de entusiasmo indescritível.
Em S. B. de Messines foram cerca de 500 os manifestantes, que, a 19 de janeiro, percorreram a aldeia com a “bandeira portugueza desfraldada, dando enthusiasticos vivas á nação portugueza, a Serpa Pinto, ao exercito e á marinha portugueza.” Em simultâneo foi aberta, entre os messinenses, uma subscrição pública cujo rendimento deveria reverter para a defesa do porto de Lisboa.

A 13 de fevereiro seguinte, era a vez do presidente da Câmara de Silves, Diogo João Mascarenhas Manuel, em reunião do executivo e “interpretando os sentimentos patrióticos dos habitantes do concelho” colocar à votação a seguinte proposta:
“A câmara Municipal do concelho de Silves, repetindo o echo de toda a nação portugueza offendida vilmente no seu brio e sentimento de nacionalidade civilisada pela maior das affrontas protesta contra o acto da violência e deslealdade com que a Inglaterra acabou de proceder contra Portugal”. Moção que foi aprovada por unanimidade.
A edilidade secundava, desta forma, o impulso popular de condenação ao Ultimato, deliberando ainda atribuir o nome do “valoroso e intrépido explorador o major Serpa Pinto”, ao largo do Poço dos Mártires.
No contexto nacional e face aos protestos, o governo demite-se, todavia os ânimos não serenaram. A música “A Portuguesa” composta por Alfredo Keil, a partir de um cântico patriótico de Henrique Lopes de Mendonça é um dos reflexos daqueles conturbados meses, cujos versos finais eram explícitos: “Contra os bretões marchar, marchar”.

A cedência às pretensões dos ingleses por D. Carlos marcou o início da queda do prestígio da monarquia, em contraponto com a campanha republicana que irá conduzir à proclamação da República, vinte anos depois, em 5 de outubro de 1910. Proibida pela monarquia “A Portuguesa” viria a ser adotada, em 1911, para hino nacional, com a substituição do termo “bretões”, por “canhões”, como hoje a conhecemos.

O Ultimato constituiu um momento de viragem da história de Portugal, não negligenciado pelos povos do concelho de Silves.

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