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A Escola Industrial e Comercial de Silves- A Criação

Exposição “A Escola Industrial e Comercial- A Criação”

Em Silves, no edifício da Câmara, encontra-se patente, até ao final do mês de janeiro, a Exposição do Arquivo Municipal com o tema “A Escola Industrial e Comercial – A Criação” .
A exposição é acompanhada de imagens e documentos.
O Terra Ruiva colabora com esta iniciativa do Arquivo Municipal publicando uma versão resumida do texto da exposição. A versão integral, com mais texto, documentos e fotos,  está disponível aqui: Escola Industrial e Comercial de Silves

A Escola Industrial e Comercial – A Criação

Numa altura em que o ensino técnico-profissional estava pouco desenvolvido e no Algarve existia unicamente a Escola Industrial e Comercial de Faro, atual Escola Tomás Cabreira, não havendo qualquer estabelecimento oficial para o seu ensino no barlavento algarvio, apesar da sua numerosa população e os seus valiosos recursos que sustentavam um comércio e uma indústria importante, alguns vultos da alta esfera cultural silvense, como Henrique Martins, Samora Barros e Maurício Monteiro alvitraram o projeto de criação de uma Escola Técnica na cidade. Para esta missão contaram com o apoio dos deputados municipais Sr. Tenente Coronel João Estêvão Águas e o Capitão F. J. Velhinho Correia que conseguiram a aprovação do projeto em sessão legislativa.

Decorria o ano de 1917 quando a 2 de janeiro, há precisamente 100 anos, na sessão plenária da Câmara de Silves, foi apresentada a proposta para a criação de uma Escola Industrial em Silves.

A 8 de janeiro de 1917 foi aprovado pela Comissão Executiva da Câmara Municipal de Silves, sob a presidência de José Gabriel Pinto, uma representação propondo a criação da Escola de Ensino Comercial e Industrial. Esta representação foi entregue ao Ministro da Instrução encabeçada por Henrique Martins, acompanhado dos parlamentares Dr. Adelino Furtado, Dr. António Portugal e Dr. João de Deus Ramos.
Passados dois anos, a 11 de julho de 1919, foi apresentado na sessão da Câmara dos Deputados o Projeto de Lei para a criação da Escola de Comércio e Indústria de Silves, pelo deputado do círculo de Silves Velhinho Correia, projeto assinado também pelos deputados João Estevão Águas e António Aboim Inglez, o qual foi aprovado no Parlamento.
Dois meses depois, na sessão extraordinária da Comissão Executiva da Câmara, é apresentado um telegrama do deputado municipal Velhinho Correia comunicando “a aprovação do projecto da creação d’uma Escola Comercial e Industrial em Silves”.

A 23 de setembro de 1919 é decretada a criação da Escola Elementar de Comércio e Indústria de Silves. Para patrono da Escola foi proposto o nome do grande poeta lírico e pedagogo João de Deus, natural de S. Bartolomeu de Messines e autor da célebre “Cartilha Maternal”.

1º Edifício onde funcionou a Escola Comércio e Indústria João de Deus – gaveto Rua Cândido dos Reis e Rua Latino Coelho

 

A Escola era constituída por duas secções, administrativa e pedagogicamente independentes. A 1.ª secção é constituída por uma escola de carpintaria de branco, serralharia e trabalhos femininos e tem como pessoal docente um professor de desenho, dois mestres e uma mestra.
A 2.ª secção é constituída por uma escola comercial e tem como pessoal docente um diretor, um professor de língua pátria e francesa, um professor de aritmética comercial, escrituração e contabilidade comercial, um professor de elementos de teoria do comércio, de direito comercial e de economia politica e geografia comercial, vias de comunicação e transportes, um professor de noções de tecnologia e mercadorias e um mestre de caligrafia, estenografia e dactilografia.
No que respeita ao recrutamento do pessoal docente era feito por concurso documental ou provas públicas. Para serviço das duas secções, o pessoal administrativo e menor era constituído por um amanuense e um contínuo.
A Escola Industrial e Comercial visava o fomento do ensino técnico como alternativa ao ensino liceal, tendo em vista formar profissionais em diversas áreas, preparando-os para enfrentar o mundo do trabalho.
No ano de 1920, a Comissão Executiva da Câmara de Silves, sob a presidência de Henrique Martins, debruçou-se na questão da obtenção de um espaço para a instalação e nos preparativos para a inauguração da tão desejada Escola, pretendendo convidar várias personalidades de destaque.

O jornal da terra «Voz do Sul», propriedade de Henrique Martins, congratulando-se com este melhoramento deu destaque às movimentações relacionadas com a Escola. Assim, na edição n.º149 de 9 de maio, surge a notícia “Temos finalmente credito para a Escola e casa para a sua instalação”. A 11 de julho, na edição n.º154, noticia que o Diretor da Escola Comercial de Faro, Sr. Lyster Franco, ficou encarregado da instalação da Escola e que “o prédio destinado para a Escola foi cedido á Câmara Municipal de Silves pelo nosso ilustre amigo Sr. Dr. João Vitorino Mealha, dignissimo Secretário Geral do Governo Civil de Faro”, edifício sito na Rua Cândido dos Reis contornando com a Rua Latino Coelho.

Para diretor da Escola e responsável pela Secção Comercial foi nomeado o Dr. José Emílio Mendonça Vila Lobos, formado em medicina, e como professor e diretor da Escola Elementar Industrial, responsável pela Secção Industrial, o Dr. José Ricardo Júdice Samora Barros.
A 29 de agosto são publicados os editais com a abertura de inscrições para os alunos que quisessem efetuar a sua matrícula.

Na sessão de 27 de setembro, “resolveu a Comissão que as festas da inauguração da Escola Comercio e Industria de Silves se realizassem no dia cinco d’Outubro, aproveitando assim a mesma festa para comemorar tam gloriosa data.”
O Programa da festa iniciava-se com a chegada da filarmónica «Artistas de Minerva», de Loulé. Às 15 horas a sessão solene na Sala das Sessões da Câmara Municipal presidida pelo Sr. Ministro do Comércio e às 17 horas o sarau musical, pela banda «Artistas de Minerva», no Teatro Mascarenhas Gregório, havendo também recitações, sendo a receita obtida destinada aos alunos das Escolas oficiais, pobres e órfãos de pai e mãe. Seguindo-se às 20 horas o jantar em honra dos ilustres convidados e por fim, às 21 horas, o concerto pela banda de Loulé na Praça João de Deus, atual Praça do Município, que se encontrava decorada com lindas iluminações, bem como as ruas envolventes.
É de assinalar que por motivo da greve ferroviária que se fazia sentir por aqueles dias alguns dos convidados acabaram por faltar à cerimónia, como foi o caso do Diretor Geral do Ensino Comercial e Industrial, o Governador Civil de Faro – Rego Chaves e o Dr. João de Deus Ramos.

Aquando da data de inauguração a escola já contava com 120 alunos, começando a funcionar com uma frequência de 154 alunos e com toda a regularidade exigida.
Instalada no edifício da esquina da Rua Cândido dos Reis com a Rua Latino Coelho, alugado para esse efeito até ao final dos anos 20, aquando da mudança de instalação para o edifício legado por Francisco Gomes Pablos, na Rua João de Deus, como não possuía espaço para as oficinas as aulas eram ministradas num armazém na Rua Latino Coelho e Rua Cruz de Portugal, cedido pelo Dr. Francisco Vieira, também professor dessa escola.

A 26 de outubro é apresentado um ofício da Direção da Escola “pedindo a concessão do recinto do Castelo, para recreio e cultura física dos alunos daquela Escola”, tendo a Câmara aprovado a cedência.

Em 4 de junho de 1925, alterou o nome para Escola Industrial e Comercial de João de Deus. Considerando que sejam professados os cursos completos das escolas industriais e necessários à população feminina que frequenta a Escola o ensino da costura e corte de roupas brancas e vestuário e do fabrico de rendas, determinou que se professem na secção industrial, para além dos cursos de carpintaria de branco, marcenaria, serralharia civil, os cursos de maquinista de motores de explosão, costura e corte e de bordados e rendas, com a contratação de uma mestra de rendas e bordados e uma mestra de costura e corte.

O Artigo 7.º determina que “anexa à oficina de serralharia haverá uma instalação eléctrica que servirá para produzir a energia eléctrica para os serviços da Escola. A instalação eléctrica poderá vender ao público ou às corporações administrativas o excesso de energia que possuir”.
Para a produção de energia elétrica foram adquiridos motores e geradores elétricos para a iluminação e força motriz, tendo a Câmara cedido um poste de ferro. Achando-se “habilitada a fornecer a esta Camara a energia electrica de que esta necessite para o serviço de iluminação publica” autorizou a Câmara a instalação da rede elétrica daquela escola nas ruas da cidade.

Na segunda metade da década dos anos vinte o edifício onde se encontra a Escola Comercial e Industrial João de Deus começa a apresentar condições de insuficiência, não só a nível de carência de obras de melhoramento a nível do telhado e varanda que ameaçavam ruína, como também devido ao crescente número de alunos matriculados o que levou a que as instalações se tornassem a ser exíguas, necessitando-se proporcionar a aquisição de novas instalações.

(continua)

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