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O canto da formiga

Ai cantaste durante o verão? Então dança agora, disse a formiga para a cigarra, na fábula de João de Deus. A cigarra levara o verão a cantar, a formiga passara os dias a trabalhar, pensando no duro inverno que se aproximava. E quando a cigarra pediu ajuda à formiga, foi essa a resposta que ouviu.
Claro que hoje, nos dias do politicamente correto, a formiga repartiria com a cigarra os frutos do seu trabalho, porque, afinal, cantar também é trabalho que deve ser recompensado. Mas não à custa do formigueiro! – diria a formiga de João de Deus…

Confesso que é nesta formiga que penso quando entro, pela primeira vez em muitos meses, no edifício da Câmara Municipal de Silves, em vésperas de final de ano. Há uma funcionária à entrada, pergunta se pode ajudar, orienta as pessoas na direção do serviço que pretendem, para os balcões remodelados onde são acolhidas por funcionários fardados… Surpreende-me o ar limpo, branco e moderno das instalações do antigo edifício, o tipo de acolhimento.

Mas há de facto um trabalho de formiguinha infatigável que tem vindo a ser desenvolvido e no qual, em consonância com a natureza desse trabalho, quase ninguém repara. Refiro-me aos sucessivos regulamentos que têm vindo a ser criados e atualizados, com incidência em praticamente todas as áreas da vida económica e social do Município de Silves.
Salvo erro na contagem há oito novos regulamentos em vigor, que organizam e gerem sectores que vão desde a Feira Medieval, ao apoio social a pessoas e famílias carenciadas, ou à prática de caravanismo. Muito importantes para o dia a dia de munícipes e empresas são os novos regulamentos de urbanismo e edificação, as tarifas e preços do Município de Silves e o de taxas e licenças, que apostam na dinamização económica, baixando os preços praticados anteriormente. Também não é de desdenhar a importância dos regulamentos para a venda ambulante e para a ocupação do espaço público e publicidade.
O ano de 2016 fica assim marcado por esta atividade quase silenciosa, de criação de regulamentos que não existiam (como o de tarifas e preços do Município, ou do caravanismo); e substituição de velhos regulamentos datados de 1998 (como o da venda ambulante e o da ocupação do espaço público); ou ainda a concentração num só documento de regulamentos dispersos que regulavam a mesma atividade (como no caso dos anteriormente citados).
Desfasados da realidade social e económica do concelho, da região e do país, e até em discordância com a legislação entretanto produzida, os regulamentos existentes no Município de Silves tinham parado no tempo. Era essencial que isso fosse alterado e o ano que passou foi realmente de viragem total nesse aspeto.
Porém, à generalidade dos cidadãos passará desapercebido este trabalho de formiga infatigável, desenvolvido pelo atual executivo camarário. E é praticamente normal que assim seja. Em muitas áreas da nossa vida pessoal e profissional só valorizamos as pessoas ou o seu trabalho quando precisamos ou quando isso nos afeta diretamente.

Mas tem havido uma formiguinha a refletir na organização do trabalho do Município, nos objetivos a alcançar, no trajeto a percorrer. E há um trabalho consubstanciado em centenas de páginas que organizam, remodelam, reformulam, modernizam e ajustam.

É caso para dizer que a formiga também canta.

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