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Natalidades e Fatalidades

Ruas iluminadas, cânticos de Natal nos espaços comerciais…. Mais um Natal a chegar. É uma época de harmonia e reunião familiar que nos relembra a bondade e compaixão que existe no mundo. Porém, neste ano de 2016, tão marcado por questões humanitárias e idealismos religiosos e políticos, a harmonia tirou férias e a bondade e compaixão ficaram dentro do saco de prendas do ano passado.
Nos Estados Unidos da América, o Pai Natal adiantou-se e já deixou um pequeno presente no sapatinho dos Americanos: Donald Trump será presidente. O polémico candidato ganhou as eleições para a presidência dos Estados Unidos da América à candidata democrata Hillary Clinton, após uma campanha descrita nos media como vergonhosa.
Trump ganhou o eleitorado americano ao jogar com os seus medos e com a revolta de uma parte da população, ao prometer uma América mais fechada e mais preocupada consigo própria. Uma América isolada do resto do mundo, com menos comércio internacional e com mais fronteiras e com menos intervenção na geopolítica mundial.
Trump construiu uma narrativa na qual uma franja significativa da sociedade americana se reviu, mesmo que esta mesma narrativa não corresponda necessariamente à realidade. No entanto, a questão é que funcionou e Trump será Presidente dos Estados Unidos da América.
A campanha de Trump trouxe para a ribalta uma tendência perigosa na política. Foi uma campanha menos preocupada com factos ou políticas concretas; foi uma campanha extremada, que incentivou a rivalidade irracional entre democratas e republicanos e repleta de “meias-verdades” e poucos factos. Alguns jornalistas cunharam inclusive um termo para este corajoso novo mundo em que se dá pouca importância à verdade: um mundo “pós-facto”.
Esta tendência ameaça alastrar-se pela Europa, com as candidaturas de candidatos adeptos destas tácticas e com ideologias análogas à de Trump, focadas no isolacionismo e na xenofobia. Em França, tem-se como certo que Marine Le Pen, uma candidata que prega o isolacionismo e declaradamente anti-europeia, estará na ronda final para a Presidência francesa. Victor Orban, primeiro ministro da Hungria declara-se abertamente “iliberal”. Os movimentos de extrema-direita ganham força na Holanda e na Alemanha e ameaçam o projeto europeu. Um valor tão relevante no século XX como a liberdade é perigosamente apresentado por estes partidos como um luxo, algo que deverá ser sacrificado em prol da segurança e da estabilidade.
A própria Comissão Europeia encara estas questões com alguma seriedade e já veio a público admitir a sua preocupação com a ascensão destes movimentos, que ganham adeptos com a generalizada contração de orçamentos públicos, o aumento do desemprego e o ressentimento que a crise dos refugiados trouxe à Europa.

O próximo ano será decisivo para a Europa, com várias eleições importantes. Esperemos que o debate não seja minado por repetições do que vimos nas eleições americanas.

No entanto, e até que esse ano chegue, é tempo de celebrar as festividades com os nossos e com a nossa família. Feliz Natal.

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