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A propósito da conquista de Silves

A conquista de Silves por D Sancho II decorreu, com apoio na 4ª Cruzada que vogava para os mares e terras onde podia dar luta aos mouros, durante essa afectação nórdica e equívoca das guerras religiosas.
O ponto de vista dos portugueses não era tanto esse desvio ideológico, aliás tendo chegado a mortandades de assombro. D Sancho II não dispunha de meios humanos e técnicos para enfrentar, até ao Algarve, uma ocupação consumada e determinante. O expediente de compromissos com as poderosas Cruzadas que passavam, para o sul, a caminho do Mediterrâneo não era uma exclusividade portuguesa e as próprias expedições das Cruzadas também se baseavam nesse compromisso desde o seu projecto próprio.
O acordo negociado por D. Sancho II com os Cruzados, embora validando cedências de saques e deslocação de valores nos sítios conquistados (Aljezur, Alvor, Silves, Tavira), ao certo havia um sentido de alargar, para uma verdadeira sobrevivência, o espaço que já se definia no sentido sul.
Podemos considerar que D. Sancho II de Portugal, visto então como o segundo rei português a pode usar o título de rei do Algarve, na esteira do seu avô — e só não o terá feito devido a outras preocupações internas, como uma absurda guerra civil com o seu irmão Afonso, aquele que tendo subido ao trono em 1248 se decidiu à conquista dos derradeiros enclaves mouriscos no Algarve. Após esse fecho, o título de Rei de Portugal e do Algarve foi decididamente abandonado. Os sucessores de Afonso III elegem, para o espaço consolidado, o nome de Portugal, como monarquia.


Silves desenvolveu os aspectos frutícolas e tornou-se o primeiro centro da indústria corticeira, não apenas no interior mas em grande parte do mundo, exportando intensamente rolhas e artefactos até à segunda metade do século XX. O próprio volume desse sector proporcionou a consolidação urbana do conjunto, reconstrução do castelo e de outros monumentos, bem como comércios, vida associativa, teatro/cinema, o avanço dos costumes e das culturas locais, tendo recebido ultimamente ajudado no surto da indústria turística.
De frente para a cidade, no alto do morro aí existente, o espectáculo é apelativo – e em baixo o rio Arade, que coloca a cidade na margem direita e é o que foi um rio bem largo, com os seus aluviões séculos depois, o rio que permitiu, em 1234, uma entrada dos Cruzados os quais vieram participar no cerco a Silves, dispondo-se na terra plana junto do Arade tão perto dos primeiros alvos, diz o cronista, de um tiro de besta.

Rio arade, pela configuração vista do alto, memória de viagens para cima e para baixo, estrada onde as barcas transportavam a cortiça para os cargueiros estacionados ao largo, na Praia da Rocha. E é aqui, nesta memória, que reside o tema subjacente a este texto: quando se pensa, a sério, no desassoreamento do rio já só habitado por meia dúzia de barcos particulares, sendo contudo um potencial turístico, comercial em vários planos, aceitante de regatas e de entrepostos nas hortas das margens, citando apenas pequenas/grandes coisas que podiam ser completadas com rodovias, centros de estudo agrícola e piscícula, lazer, entre uma abertura à demografia, antes que a sonolência afunde a história e a vacuidade das bicas bebidas em Portimão faça esquecer o bom cinema que já tivemos no antigo teatro agora restaurado e um polo da Universidade comportando temáticas técnicas e científicas apropriadas.

E de novo as Associações para convívio e estudo ou leituras, como dantes tanto explicaram à realidade cultural dos anos 30 aos 60.

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