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Pórtico da igreja matriz de S. B. de Messines completa 300 anos em 2016

O ano de 1716 ficou assinalado em Portugal pela elevação de Lisboa a cidade patriarcal, isto é, o capelão do rei recebia o título de patriarca, algo que só Veneza e Roma tinham até então.

Se a capital ganhava um “mini Vaticano”, no sul do país, concretamente em S. B. de Messines, aquela data também ficaria registada na história da povoação: a igreja matriz adquiria uma nova fachada.igreja

Recorde-se que o templo terá sido construído no primeiro quartel do século XVI, pois encerra vários elementos atribuídos ao manuelino, como sejam as capelas quadradas, colaterais ao altar-mor ou as colunas torsas das naves. Estas últimas são um ex-libris do monumento, pois apresentam similaridade com as da igreja de Jesus de Setúbal, da autoria de Diogo de Boitaca, pelo que é provável que também a matriz de Messines seja da sua lavra, ou eventualmente de um dos seus discípulos.
Mestre pedreiro do rei D. Manuel, Boitaca participou, entre outras obras, na construção do Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa. Se só esta particularidade torna a matriz de S. B. de Messines numa obra ímpar e singular, ela não é a única, cerca de duzentos anos depois, entre 1713 e 1716, a igreja sofreu uma nova campanha de obras. Vigoravam então as normas barrocas e em resultado foram valorizados extraordinariamente os efeitos cenográficos na frontaria, através da conjugação de materiais diferentes (o calcário e o grés), da utilização de elementos arquitetónicos dinâmicos e de uma escadaria de acesso à porta principal. O escadório, em grés, é ladeado ainda por duas pilastras com volutas e jarrões, talhadas na mesma rocha. Quanto à frontaria destaque para o pórtico, ao que tudo indica obra do prestigiado mestre Inácio Mendes, dadas as semelhanças com a janela do Compromisso Marítimo de Faro, de sua autoria.
Datado de 1716 o pórtico da igreja de Messines é composto por duas colunas salomónicas sobre mísulas, de capitéis coríntios encimados por um entablamento com pináculos laterais, que serve de base à janela de ombreiras em pilastras, ladeadas de volutas, e verga em frontão triangular interrompido. Pórtico que contrasta com a empena de linhas contracurvadas e pilastras, ambas “avermelhadas”, pela sua construção em grés. Para uma segunda campanha de obras ficaram os retábulos em talha dourada no interior do templo.
Em resultado da intervenção no adro e na frontaria, a igreja de S. B. de Messines, que já constituía uma pequena pérola no interior algarvio, ficou enriquecida por uma magnífica e cenográfica fachada. Se o sismo de 1755 prostrou a torre, o de 1856 viria a provocar alguns danos, essencialmente no lintel, marcas que assinalam, afinal, as vicissitudes do tempo e dos anos.

Todavia, embora constitua um ex-libris da freguesia e um dos principais monumentos do interior algarvio, o templo e toda a cenografia que o envolve não se encontra perceptível para quem circula na vila de automóvel, uma situação anacrónica que teima em não ser corrigida.

Numa altura em que milhares de turistas acorrem ao Algarve e que a vila atravessa alguma estagnação económica, a igreja deverá constituir por si só um motivo bastante para o afluxo turístico a S. B. de Messines, mas para tal é necessário exibi-la com todo o seu esplendor. Ainda recentemente o jornal Público, na sua edição de 14/06/2016, destacava em S. B. de Messines, numa reportagem sobre a Via Algarviana (percurso pedestre entre Alcoutim e Sagres), a imponência da igreja, “com a sua fachada barroca e as colunas em toros torcidos”.
Perante esta realidade é urgente modificar a circulação do trânsito automóvel na vila, que após 13 anos de conversão num amplo e confuso parque de estacionamento (contra a vontade dos messinenses, veja-se o Terra Ruiva de setembro de 2003 e seguintes), contribuiu decisivamente para a estagnação económica que hoje atravessamos.
Assim, no que à igreja diz respeito, urge dotar a rua João de Deus com os dois sentidos de trânsito, com prejuízo para alguns é certo, porém em prol do interesse coletivo e económico de todos. Não obstante, esta alteração pode e deve contemplar a criação de bolsas de estacionamento, na mesma artéria (viável pelo diminuto tráfego que se verifica no interior da vila), tal como ocorre, por exemplo, na rua Nossa Senhora da Luz, na Luz de Tavira.
No ano em que o pórtico da igreja de S. B. de Messines assinala 300 anos, o conjunto monumental do templo merece essa valorização e a vila carece urgentemente desse estímulo, que o turismo lhe pode proporcionar.

 

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