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Protesto em Messines, com mais de uma centena de pessoas à porta do Centro de Saúde

A exigência de mais médicos na Extensão do Centro de Saúde de S. Bartolomeu de Messines foi a principal reivindicação apresentada por mais de uma centena de pessoas que no dia 10 de outubro se juntaram frente a este serviço de saúde.
Além de pedirem mais médicos, para garantir médico de família a toda a população, o que não acontece de momento, os manifestantes pediram ainda o prolongamento do horário desta Extensão de Saúde e que seja assegurada a Consulta do Dia, para casos urgentes.
Além dos populares, estiveram presentes: Bruno Luz, em representação da Comissão de Utentes; João Carlos Correia, presidente da Junta de Freguesia de S. Bartolomeu de Messines, acompanhado pelo secretário Paulo Pinto, e também Analídio Brás, presidente da Assembleia Municipal de Silves.

Bruno Luz, Analídio Brás, João Carlos Correia
Bruno Luz, Analídio Brás, João Carlos Correia

Tomou primeiramente a palavra, Bruno Luz, que justificou esta concentração como uma forma de “mostrar o nosso descontentamento em relação à degradação do Centro de Saúde de Messines”.
“Messines é uma freguesia com cerca de 255km, com grande parte da população envelhecida, com poucos recursos e pouca mobilidade” que apenas pode recorrer ao Centro de Saúde para ter uma consulta médica. No entanto, sublinhou Bruno Luz, cada vez são mais frequentes as situações em que a população chega a este serviço de saúde para ser informada de que não há médico.
“ Não podemos deixar que nos continuem a tratar desta maneira desumana, como se fossemos mais um número”, afirmou, reivindicando “ um centro de saúde com capacidade de resposta aos problemas reais. Não podemos deixar que o Centro de Saúde seja mais um sítio onde vamos para curar uma feridinha ou um dói-dói, mas sim um serviço funcional onde possamos contar com consultas atempadas e não tenhamos de estar horas à espera para resolver pequenos problemas e onde tenhamos a certeza que aqui seremos bem recebidos e bem atendidos”.
“Nós não queremos impossíveis, queremos o justo: consultas diárias e o melhoramento do serviço de atendimento”, disse ainda Bruno Luz.
Estas reivindicações foram apoiadas e reforçadas pelo presidente da Junta de Freguesia de Messines que defendeu que as autoridades têm de olhar para esta freguesia e saber que há residentes que “fazem 40 quilómetros para chegar ao Centro de Saúde” . “Para depois lhe ser dito que não há médico? “ indignou-se o presidente João Carlos Correia.protesto-centro-saude-2

ARS Algarve responde ao abaixo-assinado da população

Durante a concentração, João Carlos Correia referiu-se ao abaixo-assinado enviado há cerca de dois meses pela população da freguesia, no qual se solicitava o regresso de dois médicos cubanos que exerciam funções na Extensão de Messines.
Na resposta que entretanto chegou à Junta de Freguesia, vinda da Administração Regional de Saúde do Algarve, foi dado conhecimento que os médicos em causa, um casal de médicos cubanos, não tinham manifestado interesse em prolongar a missão que estavam a desempenhar.
No entanto, embora tenha ocorrido a saída dos referidos médicos, “ o facto é que, para além dos dois médicos residentes em tal Extensão de Saúde, são garantidas diariamente 7 horas médicas por parte da empresa de prestação de serviço (Kelly), num total de 35 horas semanais, assim como a ida do Coordenador da UCSP de Silves, uma vez por semana, para prestar cuidados médicos no âmbito de programas específicos de promoção da saúde/ prevenção da doença”, afirma a resposta da ARS que foi lida durante este protesto.
No mesmo documento, a ARS informa que “no recente concurso realizado em Junho passado, para Médicos da especialidade de Medicina Geral e Familiar, as vagas abertas para a área de circunscrição da UCSP de Silves ficaram desertas”.
Informa ainda que “estão a ser desenvolvidos esforços com vista a que os utentes que por ora não têm médico de família, possam novamente usufruir de tal direito, mormente através da abertura de vagas no próximo concurso” e que já iniciou funções “uma colaboradora na área administrativa/secretariado clínico, por forma a atenuar alguns constrangimentos já antes identificados pelo ACES, pela população” e pela Junta de Freguesia.
Depois de ler o documento da ARS, assinado pela diretora executiva do ACES Algarve II – Barlavento, o presidente da Junta de Freguesia reconheceu as dificuldades, nomeadamente no que respeita à contratação de médicos, mas sublinhou que a saúde é um direito essencial que tem de ser respeitado e defendido. Nesse sentido, apelou à defesa do serviço nacional de saúde, como um garante que todos temos acesso aos cuidados de saúde que precisamos e apelou à população para que se una em torno desta luta, considerando que “ se não formos nós a lutar pelos nossos direitos, mais ninguém o fará”.

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