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Sobre ser voluntário

A palavra “voluntário” aparece no dicionário da Língua Portuguesa como “aquele que se oferece para”.
Fazer voluntariado é expormos-nos a um crescimento pessoal para o qual não estávamos preparados, é oferecer o que temos para dar aos que não têm, e isto de livre vontade. Quem pratica voluntariado fá-lo porque há uma voz dentro de si que não consegue estar calada perante as injustiças do mundo. O sentimento de preenchimento e de missão cumprida que se tem, depois de ter começado, é inexplicável, é sentir o coração quente. Só esta razão deveria ser mais que suficiente para que todos se empenhassem em contribuir com o pouco que têm para os que pouco têm.

Ser voluntário é querer deixar uma marca para o futuro, traçar um caminho de boas acções para quem se seguir.

E se os budistas dizem que recebemos aquilo que pomos no mundo, então porque é que não nos esforçamos mais, enquanto sociedade, para o bem comum?
Falo disto porque sempre me envolvi em projectos de voluntariado e é gritante a falta de pessoas jovens que estes projectos tinham. No meu caso, sempre foi bastante simples, já que todos estamos fartos de saber que o mundo está pejado de injustiças e de desigualdade, e porque todos temos alguma coisa para dar, alguma singularidade que faz de nós um indivíduo irrepetível, porque não usar essas especificidades para mudar o nosso pequeno mundo. Mas há sempre demasiadas desculpas, pouca genica.
Há aqueles que se esquivam ao dizer que é um processo burocrático envolverem-se em projectos de voluntariado, mas veja-se a Refood no Algoz, sempre a precisar de voluntários, basta aparecer.

A seguir vem o argumento de estarem a trabalhar de graça, mas se voltarmos ao dicionário a palavra “trabalho” é uma obra, e o Hemingway dizia que enquanto a obra de uma pessoa permanecer, essa pessoa não pode morrer. E que mais não é o voluntariado senão uma obra, uma obra que deixamos aos outros. Já para não falar que se ganha muito mais do que aquilo que se despende, porque acabamos por conhecer a Maria, a Ana e o Filipe que por terem uma história tão diferente da tua, depois de os ouvires será impossível regressar ao quotidiano com os mesmos olhos. Aumentar a humanidade com outros seres humanos, com pessoas que normalmente não te cruzarias e afinal descobrem-se umas quantas afinidades, porque afinal não somos ninguém de mais.

Um grande Viva! para todos aqueles que gastam umas horas das suas semanas a fazerem outros sorrir, e assim ganham a vida.

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