Home / Sociedade / Cultura / “Subir a Moda”, com o Grupo Coral Alentejano de Tunes

“Subir a Moda”, com o Grupo Coral Alentejano de Tunes

De facto subir a moda foi o que aconteceu nesta viagem ao Cante, com o calor a derreter a motivação cinética (qualquer que ela fosse), mas um brilho perspicaz no olhar e a resposta apaixonada foi como o Grupo Coral Alentejano de Tunes me recebeu.
O lugar – a sede da Associação das Comunidades de Tunes, e começa o desfiar da história de muitas vontades feita.

O Grupo Coral foi o percursor da Associação, pois havia que dar um carácter legal ao grupo e a figura que melhor servia era o de uma associação, um ano depois constituíram-na. Contudo, esta não se deteve no projecto singular do Grupo Coral, tem ainda o grupo “Percutunes” (grupo juvenil de percussão) e o grupo coral “As ceifeiras de Tunes”, no sentido de dar oportunidade a outros interesses e faixas etárias.grupo-coral-alentejano

 

O Grupo existe desde que em 2002 um grupo informal de sete amigos se desafiava para cantar. Com a ajuda do então presidente da Junta de Freguesia de Tunes, José Cebola, em 2003, tomava forma o Grupo Coral Alentejano de Tunes, tendo nesse mesmo ano começado as actuações e uma entrevista na Rádio Lagoa, que em muito contribuiu para a sua implantação no seio musical. Desde essa data o Grupo marca a sua presença nas comemorações do 25 de Abril, nas vésperas de Natal a cantar ao menino, nos Encontros de Janeiras e outras festividades. Destaca-se a actuação no programa Você na TV em 2008, que em muito enalteceu o Grupo.

O cante alentejano tem a sua origem nas canções que os grupos de homens e mulheres trauteavam no trabalho da lavoura, mas também na taberna, ou em casa, pelas mulheres. Estas versavam sobre as dificuldades e a dureza da vida no campo e em simultâneo também ajudavam a suportar as mesmas. Mas os temas, embora possam soar melancólicos, também abordam os amores, são irónicos e meio brejeiros, lembram tradições ou as recordações da terra onde se nasceu – o Alentejo.
É característico do Baixo Alentejo e é composto por um grupo coral do qual fazem parte os solistas, normalmente dois por moda – ponto e alto. Os versos repetem-se em ciclos, quantas vezes o grupo o entender. É esta característica cultural mas também social que o torna tão especial e por isso reconhecido como Património Mundial Imaterial da Humanidade por parte da Unesco desde 2014. Processo do qual também o Grupo de Tunes teve o prazer de se associar e participar, tendo sido convidado a comemorar esta candidatura pela Câmara de Silves, num espectáculo no Teatro Mascarenhas Gregório.

O primeiro no Algarve

O Grupo Coral Alentejano de Tunes foi o primeiro do género no Algarve, tendo vindo a sofrer oscilações conta actualmente com 20 elementos (homens e mulheres), apesar disso mantém, quatro elementos do grupo percursor.
Sendo um grupo misto dificulta o ensaio mas melhor reflecte os trabalhos no campo de onde deriva o Cante, para além de que as alentejanas também têm memória. Curioso é que dois elementos são alentejanos apenas de coração, o que prova a magia que o Cante exerce sobre quem o ouve.
Anualmente é realizada uma festa em Tunes, nos finais de Junho, para comemorar o aniversário do Grupo, para o qual são convidados alguns grupos corais alentejanos para festejar e apresentar à população da Aldeia um pouco da cultura alentejana. Este ano, no dia 18 de Junho, durante o 4º Encontro de Grupos Corais Alentejanos estiveram presentes mais 4 grupos corais de Palmela, Vidigueira, Feijó e Almodôvar.

Por esta altura foi apresentado o 2º CD gravado pelo grupo – Tunes Terra de Amores. Já em 2004 tinham lançado em cassete o primeiro trabalho. Estes trabalhos reflectem uma interpretação do grupo muito singular, de temas e modas que fazem parte do cancioneiro alentejano. Desde o ano passado que o actual ensaiador, José Carlos Mota, também ele com um passado no Cante e que tem a seu cargo a criação de outro grupo coral alentejano no Algarve, procura “casar” as melhores modas com os desejos dos elementos e as características vocais do grupo.
Neste último trabalho destaca-se o original escrito pelo poeta algarvio Manuel Narciso – “Tunes terra de Amores” que dá nome ao cd. Fizeram parte deste cd os elementos referidos abaixo. Um trabalho que não seria possível sem o apoio da União de Freguesias de Tunes e Algoz e a disponibilidade do Centro Pastoral de Pêra.

É com persistência e força de vontade que o grupo se mantem a “levar consigo as suas tradições e o prazer de cantar”, pois que não há cachet que pague esta paixão. Os projectos mais prementes são uniformizar o traje domingueiro que ostentam nas actuações, recrutar mais elementos e poder continuar a actuar e a divulgar o seu amado Alentejo.

 

Elementos do Grupo:

• José Carlos Mota (Coordenador / Ensaiador / Ponto)
• António Maria da Silva (Ponto)
• Fernando José da Silva (Alto)
• Deotolinda Maria Inácio da Silva
• Eugénia Maria Inácio
• José Rodrigo Martins Cebola
• António Manuel Inácio Soares (Alto)
• Mafalda Maria Guerreiro
• Joaquim Guerreiro (Ponto)
• Adelino Guerreiro
• Francisco Soares
• José Manuel Guerreiro (Alto)
• Júlia Duarte
• Henrique Ribeiro (Ponto)
• José Rosa
• António Rosa
• Joaquim Duarte
• Edmundo Alexandre (Alto)
• Ângela Rita
• José Rita

 

Texto: Mónica Gonçalves / Fotos cedidas pelo Grupo

Veja Também

Gala Sénior em Messines

A 2ª Edição da Gala Sénior de Natal terá lugar no dia 15 de dezembro, …

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *