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E assim passou mais um verão

O final de Agosto traz-me uma nítida sensação de nostalgia de fim de festa. Nós que moramos no Algarve, que vimos esta região sobrelotada durante todo o mês, com o fim de Agosto, somos confrontados com um Algarve menos povoado e menos “alegre” pois que, tudo o que havia para ser feito, em termos de animação, parece que se esgotou com términos de Agosto.
Digo isto com alguma mágoa, pois que, de um mês para o outro, tudo o que era eventos termina como um passe de magia.
Silves, não é excepção, o final da Feira Medieval, assinala de forma inelutável o fim das actividades neste Concelho. Dir-me-ão há ainda outros eventos mais “caseiros” até ao final do ano, mas mesmo assim, esta sensação de fim surge-me sempre nesta época.
Fiquem descansados que não vou falar da Feira Medieval, evento fundamental para a economia Silvense, em boa hora iniciado no já longínquo ano de 2004. Recordo que esta Feira, então quinhentista e feita para a comemoração dos 500 anos do Foral Manuelino, foi herdeira de um outro evento feito, vindo da década de 90 do século passado, organizado pela, então Directora da Escola Secundária de Silves, Dra. Isabel Soares. Em boa hora soube ver o potencial que Silves tem para este tipo de festividades e espicaçou uma cidade adormecida.
Além do que deste evento, Paula Bravo, num dos seus editoriais, apontou com grande acuidade os problemas, ou o problema, que a Feira Medieval apresenta.

Não sei se deram conta mas no final de Julho de 2016, houve um outro grande evento em Silves: O Acampamento pela Paz, da Plataforma 20×45, onde com grande garbo se apontaram as conquistas de Abril, se promoveu a paz, a luta contra o capitalismo entre outras coisas, que a esquerda se constitui custódia.
Tal acampamento (ainda profusamente anunciado nas caixas de electricidade da cidade) trouxe a Silves cerca de 400 jovens que vieram participar neste encontro. Nesse fim-de-semana, o Município organizou um concerto para todos os jovens, o que até calhou bem, pois sempre houve algo mais no Concelho. De facto foi uma admirável coincidência que até veio potenciar aquele acampamento!

Neste ponto tenho de fazer um pequeno mea culpa, pois como se recordarão, há cerca de um ano, fiz um artigo onde a, dada altura, punha em causa a validade de publicidade paga na revista da Festa do Avante. Ora tenho de concluir que tal inserção publicitária conseguiu trazer a Silves cerca de 400 pessoas, o que foi interessante. Não sei se houve impactos na economia, mas sempre mexeu um pouco. E assim, permito-me avançar para mais uma proposta:

Uma vez que o executivo Silvense conseguiu captar jovens de esquerda com um anúncio na revista da Festa do Avante, porque não fazer um anúncio no Povo Livre (a Dra. Isabel Soares nunca teve essa ousadia) ou outras publicações partidárias? Pode ser que para o ano a Universidade de Verão da JSD seja em Silves e aí teremos um impacto mediático grande. E quem do PSD, diz do PS ou até mesmo do CDS. As regras da democracia e do igual tratamento assim o impõem!

Bem a silly season acabou e o regresso ao trabalho impõe-se. Veremos o que nos traz o mais recente programa de financiamento, proposto pelo Ministério da Cultura, para criação de eventos que possam ser âncoras na chamada época baixa. Pena é que Silves não tenha tomado a dianteira nesta matéria e se tivesse assumido como peça chave neste processo. Aguardemos a proposta de programação que Silves apresentou e que eventos serão financiados.

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