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Mulheres da Minha Terra- Mulheres Presentes – Paula Bravo

Mulheres Presentes – Paula Bravo

Paula Bravo
Paula Bravo

Uma menina nascida na Terra de Messines e que eu só viria a conhecer no ano de 1994. Eu conto: nesse ano, assim creio, a jovem jornalista, Paula Bravo, recebera um prémio literário/ jornalístico por um trabalho publicado em 1993. Uma coincidência, encontrámo-nos no hotel onde Paula ia receber o seu prémio, onde tantos concorrentes, nacionais e estrangeiros se apresentaram. Fizemos o conhecimento nesse Verão de 1994. E nessa alegria, em saber que a laureada era uma messinense, orgulhoso fiquei!
Fui acompanhando o trajecto dessa promissora jornalista. E, sempre, nos fomos encontrando e confraternizando, nos actos cívicos e culturais que se processam, na Sociedade de Instrução e Recreio, na Terra de Messines, atividade de operários, fundada nos anos vinte do século XX, e que sempre funcionou como um “Centro Cultural”, de associação cívica. Aí, Paula Bravo exerce uma atividade de direção, nessa entrega do reconhecimento.

 

 

Para mim, conhecer uma mulher jornalista, jovem e premiada, natural da minha terra, pela “ousadia” de uma jovem que tira um curso superior de jornalismo, para um futuro incerto, que Portugal oferece para essa profissão de sacrifícios, e de riscos, na honestidade jornalística exercida. E Paula assim tem procedido. O jornal que ela dirige assim se justifica aos níveis do melhor profissionalismo. E eu sei o que afirmo!

Vamos, então, à razão desta Mulher da Minha Terra, inserida no grupo das três mulheres presentes, vivendo na terra, em acções muito projectadas nas suas diversidades: cultural- teatral, Lisete Martins; política-autárquica, Rosa Cristina Palma; e Paula Bravo, jornalista. Parece nada faltar na “Terra Ruiva”. Só por imprecação! Falaremos mais à frente dos colaboradores do jornal.
Então, e por que não, entrarmos na história da imprensa na nossa terra de Messines para melhor entendermos os tempos das mudanças? E comecemos pelo testemunho da primeira história da Imprensa Algarvia, publicada em 1938, da autoria de um ex-tipógrafo, que chegou a capitão do Exército Português, de nome Vieira Branco ( natural de Faro), com o título arrojado de “História da Imprensa Algarvia – de 1833 – 1938”.
Vieira Branco traça as dificuldades que os 243 títulos de 105 anos estudados enfrentaram. Sobre o quinzenário de Messines que veio numa “vaidade” atribuída pelos que se julgam “senhores” de tudo. Enganaram-se. O quinzenário de Messines viveu o tempo permitido. Fez história. Vieira Branco escreveu no seu “inventário”, e sobre a direcção de O Messinense palavras respeitáveis, considerando o novel quinzenário, como um exemplo de construir jornalismo de culto aos valores local e regional, em que as figuras centradas nas culturas do tempo político, assim como nos cultos adversos aos interesses futuros das populações, em que se nota, nas suas leituras, os “restos” de um republicanismo ameaçado. O que aconteceu… e foi acontecendo, numa Europa de impérios ameaçados. Toda a leitura, possível e decorrente do tempo se encontra, não só no nosso Messinense, que não resiste pela diferença que se fez na sua “infantilidade”, quase pura.

O Messinense, fundado no primeiro quartel do século XX. Com data de 1/02/1922, até à sua breve vida de 25/12/1923, com a publicação de 36 números. Um quinzenário de nomes que chegaram ao 25 de Abril de 1974, desde o farense Adelino da Palma Carlos, primeiro- ministro, após o 25 de Abril de 1944; com os messinenses Joaquim Rita da Palma ( advogado), Neves Anacleto ( político, advogado, jornalista), Maurício Monteiro ( advogado, autarca e publicista), o poeta Bernardo de Passos, Mário Lyster Franco ( advogado, político da União Nacional e historiador), entre os nomes mais sonantes da cultura do Algarve. Não ignorando os locais: José Nobre Ruivo, nas disputas contra Adriano Gonçalves, em filosofia e questões religiosas. Todos os Tratados foram tratados no nosso Messinense, conforme o estudei.
Grandes figuras da cultura algarvia passaram por um curto período de 36 números, nos ideias da República, a democracia, como matriz da cultura, o romantismo caldeado de todos os ismos, culturais (futurismo e neorrealismo), e políticos ( fascismo, nazismo, socialismo, comunismo, neoliberalismo), entre vários cultos religiosos. Num século!
Do tipógrafo/ militar Vieira Branco, num trabalho difícil para o tempo, mas de muita persistência para o futuro conhecimento, por ser pioneiro. Mário Lyster Franco, a partir de Vieira Branco ( 1938), recolheu o futuro da imprensa algarvia deixando o testemunho de “O Messinense”, na preparação do que viria a ser, em 1989, numa obra de dois volumes, editados pela Comissão de Coordenação da Região do Algarve, na coordenação assumida de Vilhena Mesquita.

O Messinense foi um acto político e de desenvolvimento, na palavra impressa, para o tempo da primeira República. Tempo a preparar-se pelos ventos europeus das ditaduras, à 2ª grande guerra mundial e de outras, chamadas de intercalares, como as guerras das colónias portuguesas da Índia, Angola, Moçambique, entre outras e outros interesses…

Com o novo século, o XXI, surge em Messines o mensário Terra Ruiva, já lá vão 16 anos de vida. O nosso jornal sempre dirigido pela jornalista Paula Bravo, uma Senhora de forte carácter, que tem percorrido, a responsabilidade jornalística de alguns órgãos da imprensa nacional, ainda professora, ainda tanta coisa que se faz pelos que não o fazem, discordando que se o faça…

Dizia-me, em conversa, sem preparação para este escrito, que o 25 de Abril apanhara-a quando andava no primeiro ciclo, nuns barracões improvisados que durante muitos anos fizeram de escola em Silves. Foi apanhando esse tempo e construindo-o na vertente democrática, entendendo o associativismo como um caminho a seguir.

No dia 30 de Abril último, esteve na Sociedade de Messines, onde se comemorou o 16º aniversário de Terra Ruiva. Estavam os amigos do mensário, que fizeram prazer estar. Foi debatida a urgência de um calendário mais curto, o que implicaria dois números por mês. As opiniões surgiram em construção democrática plural. Paula Bravo, sem entusiasmos precipitados, esclarecia. Eu, presente, via na directora do “Terra Ruiva” essa alma, não num princípio espiritual, mas no sentido figurativo da coragem e do alento necessários num qualquer empreendimento. E o mensário de Messines tem essa força que Paula e os seus colaboradores lhe dão, em nome de todos os que nele escrevem, em todos, sobretudo, os que no jornal lhe dão a força de leitor. Por tudo o que vemos,  vai Terra Ruiva em boas mãos.

 

NOTA: Com este nº de julho/2016 damos por concluídas as Crónicas das 18 Mulheres a Minha Terra. Foi um ano e meio em dar a conhecer essas Mulheres de várias “guerras” da minha infância e adolescência. As três Mulheres Ausentes que nunca conheci na terra de Messines. Por último, encontrei as Mulheres Presentes, num número de três, em que a Jornalista Paula Bravo encerra a publicação das 18 figuras femininas: Mulheres históricas e incógnitas de um lugar. Mulheres ausentes, mas celebradas pelo país fora. Mulheres presentes de gostar, no reconhecimento de entrega à Comunidade e actuantes. Foi um reviver, passado e presente!

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