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Com a tomada de posse deste executivo, sempre pensei que uma das áreas que fosse privilegiada seria a acção social. Para mim, este seria um tema caro ao partido, ou coligação de partidos, que sustentou a eleição da Dr.ª Rosa Palma, pelo que sempre admiti que esta temática iria ter um enquadramento especial.
Acreditei que seria apresentada uma sólida política social, que desenvolvesse uma estratégia que fundamentasse acções específicas para quem tem especiais fragilidades socioeconómicas e se encontrasse, de alguma forma, em agregados deprimidos. Pensei que, como área privilegiada, iriamos ter passos concretos para a construção de uma política de habitação social, onde veríamos, ao menos, um levantamento de áreas com apetência para construção de novos espaços. Recordo a defesa feita pelos vereadores da CDU quanto a este tema e, em concreto, da CHE. Ou a criação de linhas de apoio de emergência a pessoas com dificuldades financeiras, ou ainda o desenvolvimento de parcerias estratégicas com os diversos actores sociais (apenas duas: Rede Social e o RSI/NLI).
Detive-me sobre este tema pois, há cerca de um mês, vi uma reportagem, que passou na TVI, onde a Sra. Vereadora Luísa Conduto, numa entrevista dava conta de um projeto para promoção da autoestima, denominado “bem me quero”.
A ideia, em si mesma, parece-me interessente. Um projeto que promove o bem-estar, e que, de certa forma nos capacita, ou como, agora se diz, faz o “empowerment” (ou empoderamento) de alguns sectores da sociedade. Decidi aprofundar mais um pouco este assunto. Fiquei a saber que estávamos perante um projecto destinado a dar uma resposta social do município. Até aqui tudo bem, mas o certo é que não passa disto mesmo: uma tarde onde alguns idosos (sobretudo senhoras) são convidados a arranjarem o cabelo e se maquilharem para uma sessão fotográfica. Não há um trabalho prévio, ou posterior (embora tenha sido falado numa passagem de modelos). A acção esgota-se naquele momento, sem qualquer trabalho articulado ou consequente.
Porém, parece que o nosso município tem mais projetos de acção social como seja uma recolha de fotos de casamento de pessoas de Silves. Tendo esta acção percorrido algumas freguesias. Novamente, não compreendemos o enquadramento deste “projecto” na acção social. Mais baralhados ficamos quando lemos que “esta acção integra-se no projecto de recolha e valorização do património imaterial iniciado pela autarquia, através do seu sector de Acção Social.” (In http://www.cm-silves.pt/pt/destaques/1898/camara-municipal-de-silves-retoma-campanha-de-recolha-de-fotografias-antigas.aspx )
Mas os objectivos do sector da acção social passam por recolher e valorizar o património imaterial? Verdade que não sou da área, mas o património imaterial não competirá à cultura?
Ou ainda o Mercado do Mimo, uma acção desenvolvida pela parte social do Município, que já vai na segunda edição onde se “pretende apresentar serviços e produtos diferenciados, nomeadamente, roupas e acessórios para pais e crianças e sobretudo trabalhos artesanais direccionados à família e/ou parentalidade.” (In http://www.cm-silves.pt/pt/noticias/1346/numa-acao-dinamizada-pelo-municipio-de-silves-e-mima—fissul-acolhe-%E2%80%9Cmercado-do-mimo%E2%80%9D-a-6-de-dezembro.aspx)
Não seria esta uma actividade enquadrada na Animação?
Ou por fim, quando lemos sobre os polos de educação ao longo da vida definidos como “Projecto educativo da Câmara Municipal de Silves que assenta essencialmente, na Educação/Formação contínua fora do sistema formal de ensino.” (In http://www.cm-silves.pt/pt/menu/471/educacao.aspx )
Fico, novamente, perturbada, mas este assunto não é da educação?

Ao olhar para este tipo de festas/eventos/acções, “happenings”, ficamos um pouco na dúvida: é isto enquadrado em políticas de acção social? É isto a política de acção social deste executivo?

Chegamos à conclusão que, na acção social, não só não se inovou em ponto nenhum, como não se criaram respostas novas, nem se aprimoraram as existentes, como não se fez nada. Apenas se criou uma séria confusão naquilo que seria uma resposta concertada e adequada do Município de Silves aos problemas do concreto. Pior, esta confusão apenas é sinónimo de perda de tempo e recursos (cada vez mais escassos) dispersando a atenção dos técnicos (que o Município tem e que são bons) e duplicando acções pelos vários sectores da Câmara.

Não esperava isto deste executivo, vindo dum partido, dito, patriótico e de esquerda!

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