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Mulheres da Minha Terra – (13) – Rosa Cristina Palma

Conheci a jovem professora, em Março de 2013, quando veio até Faro, buscar-me, para uma viagem cultural a Messines. Nesse dia festejava-se o 183º aniversário do Poeta/Pedagogo João de Deus e tinha um convite amável, do Presidente da Junta de Freguesia, João Carlos Correia. O autarca não deixava de comemorar a efeméride, como de costume e de todos os Messinenses. E a jovem, sua companheira, assumiu este compromisso, de me conduzir até Messines.

Rosa Cristina Palma
Rosa Cristina Palma

Assim foi, Rosa Cristina e eu lá abalámos pela apelidada de maior “avenida” do Algarve, a 125.

A jovem professora conduzia numa tranquilidade transmitida. Fomos conversando para gastar o tempo, também nesses nossos hábitos de comunicadores. Assim o entendi.

E os assuntos vinham pela razão que se impunham, a ambos.

 

 

 

 

 

Fomos, 125 por aí fora. Rosa Cristina nessa responsabilidade da condução. Eu “pico” a vereadora sem mandato da Câmara Municipal de Silves, pela situação perigosa dessa “avenida” que atravessa o Algarve.
Senhora professora, digo. E ela: sejamos mais simples, dispenso o tratamento, a professora ficou na escolaOk, digo, numa linguagem fácil e usual a todos. Rosa olha-me de soslaio, num sorriso quase adolescente. Que idade tem? Pergunto, por perguntar. Não há tempo de resposta. Uma travagem que nos avança, para a frente, pelas irregularidades que se provocam, pela circunstância do excessivo trânsito. E em susto, fomos de cabeça… Desculpe, diz-me já esquecida da minha pergunta. Perdi a vontade de falar, num receio daquela “avenida” da morte. Avança a Vereadora (CDU) em oposição à política de outra mulher, na chefia da Câmara de Silves (PSD). E vai construindo a sua alternativa: A política das maiorias acomodam-se ao lugar seguro, pela continuidade. Mas o eleitorado português tem feito a sua opção… E eu respeito. É o meu princípio! Gostaria que a democracia seguisse os interesses de todos, sobretudo os de menor voz.
Eu vou admirando as palavras, que entendo assim serem entendidas, no meu conceito de homem de política europeia.
Rosa Cristina retoma a condução, lívida. E diz-me já refeita: Isto é um susto constante. Por mais que se exija, por mais que refutemos, nos argumentos… Silencia. E a Via do Infante? Digo em pergunta sem resposta, num olhar, como a dizer-me: Para quê responder… E eu, nessa vontade, em querer uma opinião de quem tem ( não tendo) responsabilidade autárquica. Depois para, a se refazer do susto, convido:
Vamos beber uma água? Aceita.

E eu, a retomar a conversa: Já me disse que é filha de emigrantes e nascida em França. Confirma num sorriso imperfeito. E logo: É difícil separarmo-nos dos pais, quando mais necessitamos desles… Eu passei por essa situação. Vim para Portugal muito menina.
Eu reparo nesse olhar que se recupera numa lembrança que não deixa saudades de guardar. Sabe, digo, também fui emigrante, cerca de cinquenta anos. Os meus dois filhos, primeiros, nasceram por lá. E também, como a Rosa Cristina, vieram para Portugal, em tenra idade. A mãe assim decidiu e eu compreendi. E regressámos no dia 26 de Abril de 1974. Foi uma decisão feliz! Assim entendeu a minha companheira e mãe dos meus filhos. Mas nem isso eles são menos farenses do que a mãe, e menos messinenses do que o pai, se em Messines habitassem.
A minha companheira de curta viagem sorriu com prazer, e vem numa pergunta: O que o fez regressar a França, depois do 25 de Abril/1974?

Dar continuidade ao meu projecto de vida; vivendo entre os dois países, nessa liberdade permitida pela restauração da liberdade em Portugal a 25 de Abril de 1974. Nesse dia, em que decidimos regressar, eu e minha mulher, vínhamos em delírio. Sabe, éramos jovens. Vivi por dentro, o horror da ditadura. Por isso corremos para a Liberdade. Rosa Cristina sentia-se bem ouvindo-me, nessa narrativa que se constrói pela simplicidade e confiança.
Olha-me e retoma, curiosa: Como foi esse trajecto feito de ausências? Sabendo que regressou a Paris!
E eu gostando do diálogo estabelecido entre um homem que se gastou, na idade, e uma jovem com um projecto de vida que se construía promissor. Respondo: Nunca fui homem em construir um património de emigrante. Quero dizer: pequena ou meia fortuna. No entanto fui um homem ambicioso no saber e partilhar esse saber que se constrói nessa “ambição”. Voltei a Portugal sempre em fins de semana, nas minhas obrigações de pai e de companheiro. Espero que me entenda. Também não é difícil. Fui sempre um homem pragmático. Rosa Palma vai em silêncio. E eu, nesse prazer de construção de monólogo.

Chegámos a Messines para a comunicação sobre o Pedagogo/poeta. Era um dia de Primavera prometida. Aquela pequena viagem foi proveitosa para eu conhecer a futura Autarca, a Presidente da Câmara Municipal de Silves, eleita no início do Outono, desse mesmo ano de 2013.
Reencontro a minha companheira de viagem, três anos depois, neste início de Primavera de 2016, na terra de Messines. Fomos recordar a história recente: os trâmites para o reconhecimento da criação da Universidade do Algarve, numa exposição realizada em Faro, na Universidade do Algarve e que passou ( em boa hora) num convite do Presidente da Junta de Freguesia de Messines, João Carlos Correia, na sede da mesma Junta.
A Presidente Rosa Palma e a Vereadora da Cultura da Câmara de Silves presentes. Ainda os meus jovens amigos: Patrícia Palma, Aurélio Nuno Cabrita, Jorge Filipe da Palma. Jovens académicos que se formaram na nóvel Universidade do Algarve. Outros Messinenses estiveram presentes, assim como a viúva do Capitão de Abril, o messinense José Inácio Costa Martins. Gente que dá gosto, Pessoas da Terra, Lisete Martins, outra Mulher sublime. Os Amigos do costume e de várias opiniões políticas. Que assim se constrói a Democracia. E assim me entendo.
Conversei um pouco com a Autarca Rosa Palma, nessa comunicação agradável de que importante é construir, ir mais além, sem chocalhos, nessa inconveniência pomposa e desnecessária. A Presidente da Câmara de Silves é uma jovem com muita responsabilidade para gerir o Concelho, na participação das Freguesias, onde todo o cuidado do Autarca é mais reconhecido, pelas responsabilidades de proximidade.

Silves é uma localidade com um peso histórico, num concelho que não tem mostrado um desenvolvimento acertado. Ficou refém dum sistema enraizado contra o operariado, que foi uma voz silenciada e torturada. E é o tempo das mudanças, neste início do século XXI.
Silves foi o início de muitas políticas, primeira capital do Algarve Português, foi uma cidade marcante na política e na cultura poética. A cidade teve o seu Panteão Nacional, com o corpo do rei João II. Há que desenvolver tanta história acumulada, e pô-la a descoberto, ao nível internacional, é urgente para o Algarve, para o País.
Vou tratando, não de um elogio, mas de uma circunstância, desta “Mulher da Minha Terra”, onde se travam “batalhas” de Muito Barulho por Nada… Política cor de baio, em que se intrigam por que aquela porta é desensibilizante, ou, ainda, naquela rixa de vizinhas: a laranja de Silves é minha… etc. Politiquices rascas, sem proveitos!

Rosa Cristina veio pela mudança. Não será um “milagre” de qualquer misticismo, como afirmou o filósofo, Eduardo Lourenço nessa sabedoria dos seus 93 anos, no dia 13 de Maio/2016. Que Portugal está passando por “Um Milagre”.

 

Nota: Por lapso de transcrição, a que o autor é totalmente alheio, este texto apresentava um erro histórico, fazendo referência ao rei D. João III, como tendo estado sepultado em Silves, quando de facto se queria dizer D. João II. Ao autor e aos leitores, o nosso pedido de desculpas. 

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