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O perigo da globalização para o nosso turismo

Tem surgido recentemente na imprensa alguns artigos sobre uma preocupação crescente na cidade de Lisboa: o fenómeno da “Gentrificação”. Este fenómeno traduz-se pela alteração da composição económica e social de espaço, em que lojas e habitantes locais são “empurrados” para fora do local originário por novos habitantes e negócios que nada têm a ver com o local.
Traduzindo por miúdos, o que sucede em Lisboa é que esta está a ser vitima do seu sucesso enquanto destino turístico; mais e mais turistas chegam à cidade, atraídos pela sua atmosfera e beleza. Ora esta procura turística leva a que esta área fique mais atraente do ponto de vista económico e imobiliário, o que faz com que haja pressão para que mais comércio e construção ocorra na cidade. O interesse deste novo comércio, muitas vezes de grandes cadeias de lojas, irá forçar a saída do antigo comércio tradicional para fora desta zona turística. Os habitantes tradicionais também são escorraçados pela crescente subida dos preços na cidade que se segue à fervilhante actividade turística, o leva a aumentos de rendas e custos de vida que são incomportáveis pelos habitantes locais.

O fenómeno resultante é a a continua descaracterização do espaço, descambando num local que não se diferencia de tantas outras ruas de outras cidades do mundo. Num ápice, o sucesso de um local, que se tornou apetecível por ter características próprias e distintas dos outros destinos, molda o espaço e desprove-o dessas mesmas valências.

Se este fenómeno é algo recente em Lisboa, o Algarve já o conhece há anos. Desde há muito que os espaços turísticos do Algarve não se diferenciam dos que se vêem no resto da Europa. A globalização uniformiza e reduz a experiência de um turista a uma amálgama das mesmas coisas que já vira noutro ponto turístico. Não há distinção entre o nosso comércio e o comércio visto noutros países. Muitos restaurantes adaptaram-se aos desejos dos turistas, fornecendo pratos de outras gastronomias. Mesmo a cozinha portuguesa é fortemente adaptada em certas zonas turísticas.
Em conversa com alguns turistas, alguns referem que o Algarve de hoje é descaracterizado, de que perdeu muito do charme que tinha nos anos 60 e 70. O crescente turismo foi criando uma experiência de massas e perdeu o seu elemento pitoresco.
Esta visão é um tanto ou quanto romântica; se é verdade que foram cometidos excessos no campo do ordenamento do território e do turismo de massas, não creio que desejemos que o Algarve permanecesse tal e qual como nos anos 60. O mundo muda e temos de mudar com ele. No entanto, seria irresponsável aceitar toda a mudança como unilateralmente benéfica; o nosso turismo tem de permanecer único a um certo grau. Não podemos esquecer as nossas raízes e esperar que o nosso turismo continue a escalada para a uniformização global.

É por isso, por essa busca da autenticidade, que o interior do Algarve tem sido cada vez mais solicitado pelos turistas. Permaneçamos únicos; forneçamos experiências autênticas aos nossos clientes e mantenhamos sempre um pouco da nossa cultura. A sustentabilidade do nosso Algarve depende disso.

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