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Há petróleo em Silves? Exploração em terra avança em outubro

Os protestos contra a prospeção e exploração de petróleo no Algarve têm continuado por toda a região, encabeçados pela Plataforma Algarve Livre de Petróleo e pelos autarcas algarvios que, de uma forma unânime, deram já seguimento à decisão de contestar judicialmente o processo.
Assim, na última reunião da Comissão Intermunicipal do Algarve (AMAL), os 16 presidentes das Câmaras do Algarve aprovaram a contratação de um jurista, João Almeida Vidal, de Faro, que irá preparar uma providência cautelar para suspender as ações no terreno.
Como foi já anunciado, o consórcio que integra a petrolífera espanhola Repsol e a Partex pretendem iniciar, já em outubro, os trabalhos de perfuração de gás natural. O poço situa-se a cerca de 40 quilómetros da costa, em frente a Faro.
Entretanto, surgiram já notícias de que a Portfuel, do empresário Sousa Cintra, que tem a concessão de petróleo nas áreas de Aljezur e Tavira ( em terra) terá já começado com trabalhos de prospeção.

mapa on shore
Sobre este negócio, muito recentemente o programa da RTP, “O Sexta às 9”, revelou que o anterior ministro do Ambiente, Moreira da Silva, aprovou a concessão à empresa de Sousa Cintra apesar da mesma “não ter qualquer experiência na área do petróleo, nem funcionários, nem sequer ter tido qualquer atividade antes deste duplo contrato com o Estado”.

 

“São os dois únicos contratos assinados pela Portfuel até hoje e que lhe permitem explorar 300 mil hectares entre Aljezur e Tavira. Se Sousa Cintra alguma vez encontrar petróleo ou gás natural, será dono da totalidade das reservas durante 40 anos. Tudo isto através de uma empresa que soma prejuízos desde que foi criada, em 2013”.
Sabe-se também que os referidos contratos foram assinados apenas a 10 dias das eleições legislativas.
Estas questões foram colocadas pela Assembleia da República que chamou o anterior ministro Moreira da Silva, a responder às dúvidas que se levantam quanto a este negócio. Nessa sessão, o anterior ministro do Ambiente defendeu que a oposição à exploração de petróleo no Algarve é dirigida por um grupo de “estrangeiros reformados” os quais, com a colaboração de deputados e autarcas da região andam a “assustar as pessoas”.
Respostas que não convenceram, pelo que os contratos foram enviados pelo atual Governo para a Procuradoria Geral da República, para serem analisados.

 

Sobre este assunto, a Plataforma Algarve Livre de Petróleo preparou este conjunto de perguntas e respostas que respondem a dúvidas que se colocam com frequência: 

Querem explorar petróleo em Portugal?
Sim. Foram cedidas várias concessões de direitos de prospeção, pesquisa, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural em Portugal. Existem concessões em terra (onshore) e no mar (offshore).

Quais as empresas interessadas?
As empresas interessadas em explorar na costa algarvia são a Repsol, Galp, ENI e Partex. O consórcio Repsol / Partex possui as concessões existentes na Bacia do Algarve, e o consórcio ENI / Galp possui as concessões na Bacia do Alentejo. Em Setembro de 2015 foram assinados 2 contratos para exploração em terra com a empresa Portfuel (representado pelo Sousa Cintra).

O que é Fracking?
Fracking ou Fracturação hidráulica é uma tecnologia muito utilizada na exploração de petróleo e gás natural. É o processo no qual o fluido de fracturação (uma mistura de água, areia e vários quimicos) é injetado a alta pressão para quebrar a rocha e abrir e alargar fraturas de modo a que os hidrocarbonetos (petróleo ou gás) possam fluir. Entre 25 e 90% do fluido inicialmente injetado permanece no subsolo.
Os químicos utilizados são altamente prejudiciais para o ambiente e saúde humana, existindo um enorme risco de contaminação das águas e do ar.
Mais recentemente foi desenvolvida a Fracturação hidráulica maciça, onde ocorre a injeção de uma quantidade de água superior a um milhão de litros por fase de fracturação ou superior a dez milhões de litros durante todo o processo de fracturação.

Quais são os riscos ambientais?
Os principais riscos ambientais associados à pesquisa, prospeção e exploração de petróleo e gás natural são:
– as perturbações causadas nos animais marinhos pelas ondas com alta intensidade utilizadas nas campanhas sísmicas;
– a poluição causada pelas descargas da água utilizada contendo substâncias tóxicas e nocivas para o ambiente;
– a contaminação dos aquíferos;
– a poluição atmosférica. A indústria de petróleo e gás natural é considerada a maior fonte de compostos orgânicos voláteis (um grupo onde se inclui muitos compostos perigosos para o homem) e de metano (um gás de efeito de estufa considerado 20 pior que o dióxido de carbono);
– a possibilidade de ocorrer acidentes com graves repercussões ambientais, sociais e económicas.

Pode causar sismos?
Sim, a exploração de gás ou petróleo pode afetar as falhas já existentes no local e causar sismos.

É o gás natural uma energia mais verde?
Não, apesar de efetivamente a exploração e uso de gás natural emitir quantidades inferiores de dióxido de carbono, este também liberta elevadas quantidades de metano* tornando-o, segundo algumas estimativas, igual ou pior que o petróleo e o carvão.

(Dados fornecidos pela Plataforma Algarve Livre de Petróleo)

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