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Mulheres da Minha Terra ( 11) – Mulheres Ausentes

Mulheres da Minha Terra (11)

Mulheres Ausentes

São três as Mulheres que nasceram na freguesia de S. Bartolomeu de Messines sem que delas tivesse conhecimento das suas existências; sempre mulheres ausentes dos nossos convívios. Começo por citá-las, em ordem cronológica: Maria Antonieta Júdice Barbosa ( 1924-1960). Maria Alves da Silva Cavaco Silva (1938) e Maria Emília Guerreiro Neto de Sousa ( 1944).

MARIA ANTONIETA JÚDICE BARBOSA nasceu em S. Bartolomeu de Messines, na rua João de Deus e viveu cerca de um ano na terra onde nasceu. Só tive conhecimento dessa messinense em 1961, pela homenagem prestada em Messines, e pela placa comemorativa, na casa onde nascera, pela notícia que o semanário farense “O Algarve” publicara, nessa data, no esforço do viúvo, em dar a reconhecer o mérito da sua mulher poetisa, e na publicação póstuma, do livro de poemas: “A Voz e o Sonho”, 1961.

Antonieta Júdice Barbosa
Antonieta Júdice Barbosa

Nesse ano de 1961, eu colaborava no citado semanário “O Algarve” onde tive ocasião em acompanhar, pela leitura, a homenagem prestada à poetisa do meu desconhecimento: Que tivera nascida na minha terra e completamente ignorada. A homenagem fora notada pela deslocação do então governador Civil. Baptista Coelho, a Messines, e descerrar a lápide comemorativa.
Em 1999, esse Homem generoso e culto que ainda não tive ocasião de conhecer, o investigador João Vasco Reys, compilou os escritos de Maria Antonieta, numa segunda edição de “A Voz e o Sonho”.
Pela leitura da biografia de Reys, tomei o conhecimento personificado de Maria Antonieta, uma poetisa em poesia acessível e transparente, que nascera na terra de São Bartolomeu de Messines, no dia 14 de Novembro de 1924.

 

 

 

Maria Cavaco Silva
Maria Cavaco Silva

MARIA ALVES DA SILVA, por matrimónio Cavaco Silva, nasceu a uma breve légua do Povo de Messines. Jamais ouvira falar dessa menina que haveria de chegar ao Palácio de Belém, por via do seu marido na ascensão de Presidente da República, por onde já outros algarvios conheceram os cantos da Casa, que fora da realeza até 1910.
O saudoso escritor, Urbano Tavares Rodrigues, que foi professor de Maria Alves da Silva, na Universidade de Lisboa, escreveu um elogio à sua antiga aluna, quando subiu a rampa de acesso ao palácio de Belém. Urbano afirmava que Maria Alves era uma aluna que, nos tempos da ditadura assumiu as suas atitudes contra o sistema; fora uma rapariga consciente no seu tempo de estudante.
Enquanto primeira dama, a sua naturalidade de messinense era-me desconhecida. É no traçado perfil que a Presidência da República envia à Junta de Freguesia de Messines, numa homenagem comum a outros messinenses, pelo esforço do engenheiro Aurélio Nuno Cabrita, nesse seu empenhamento em homenagear a senhora de Messines, como primeira dama da República Portuguesa, que se abriu o pano da sua naturalidade.
Maria Alves Cavaco Silva, licenciou-se em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras de Lisboa. Acrescentando-se o Curso de Ciências Pedagógicas da Faculdade de Letras de Lisboa.
A Messinense esteve no Palácio de Belém dez anos, no mandato do 19º Presidente da República Portuguesa, terminado no passado dia 9 de Março/2016.

Não quero deixar de lembrar outras Mulheres Algarvias que tiveram essas honras de primas-donnas. Refiro-me à portimonense Belmira das Neves, pelo seu casamento com o portimonense Manuel Teixeira Gomes, Presidente da República Portuguesa, em tempos finais da primeira República ( 1923-1925).
Ainda a silvense Maria das Dores Formosinho Vieira, casada com o louletano, oficial da Marinha Portuguesa, José Mendes Cabeçadas. Cabeçadas foi inquilino de Belém durante 17 dias, 31 de Maio de 1926 a 17 de Junho do mesmo ano.
Mais outra algarvia em Belém, Maria de Jesus Barroso, natural da Fuzeta (Olhão). Pelo seu casamento com Mário Soares, Maria Barroso passou pelo palácio presidencial, na posição de primeira Dama, um período de dez anos ( 1986-1996). Sendo a mais notável figura de mulher da cultura artística: teatro e cinema, ainda mulher de acção política.

MARIA EMÍLIA GUERREIRO NETO DE SOUSA – Outra Mulher desconhecida. Nasceu na freguesia de S. Bartolomeu de Messines, (Messines de Cima), a 14 de Novembro de 1944.

Maria Emília Sousa
Maria Emília Sousa

Aos três anos de idade deixa a terra. Foi o êxodo para a periferia de Lisboa. O destino: primeiro Baixa da Banheira, segue-se Alhos Vedros. Os pais da pequena Maria Emília deslocam-na para a origem, casa dos avós, para frequentar a escola primária. Frequenta o liceu de Setúbal e a Escola Técnica Alfredo da Silva. Iniciou-se no trabalho aos 17 anos: funcionária pública, bancária, onde exerceu funções de gerência. Sindicalista, antes do 25 de Abril. Logo após a Revolução de Abril participa activamente no Movimento Democrático das Mulheres (MDM). Em 1975, adere ao Partido Comunista Português.
Seguindo itinerário: enviado da Presidência da Câmara Municipal de Almada, cidade onde Maria Emília foi eleita Presidente, desde o ano de 1989, em reeleições consecutivas, até ao último mandato, 2005-2009.
Esta filha de gente humilde e trabalhadora vai vencendo a vida, pela sua capacidade. Tirou os cursos que pode. Entra na política. É militante activa do PCP. É nessa situação de militante, que ao longo de trinta anos de actividade autárquica, foi recebendo os reconhecimentos da Nação:
1998- Grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique
2005- Crachá de Ouro dos Bombeiros Portugueses
2005-Ordem de Mérito- Gabriela Mistral- Atribuída pelo Governo do Chile

MULHERES DA MINHA TERRA ausentes. As três Marias, em contributos Nacionais.

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