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Especial 25 de abril – “O Meu 25 de abril” – por Francisco Martins

O Meu 25 de Abril

Encontrava-me na Escola Comercial e Industrial de Silves (hoje, designada, Escola Secundária de Silves) na manhã do dia 25 de Abril de 1974 quando todo o mundo ia tomando conhecimento através da Rádio e de conversas em grupo que as movimentações das forças militares leais ao Movimento das Forças Armadas estavam a conduzir ao derrube do governo vigente, sediado em Lisboa.
Para mim, com 17 anos acabados de fazer, e decerto para a quase totalidade dos estudantes da escola, não era perceptível até então, nem a natureza ditatorial e fascista do regime que agonizava e caía como um “baralho de cartas”, nem tão-pouco o genuíno alcance político da extraordinária mudança revolucionária que se estava a operar em Portugal. Curiosamente, desde logo, tomei conscifrancisco martins siteência de um problema marcante da sociedade portuguesa que se iria resolver. A minha geração iria livrar-se da guerra colonial em África.
Naquela manhã pairava no ar um inebriante clima de festa e liberdade, um sentimento penetrante e colectivo de que algo extremamente relevante e positivo estava em marcha.

Ainda ao princípio da manhã, deu-se a paralisação total das actividades escolares e a saída da massa estudantil para as ruas da cidade de Silves.

Mais de um milhar de estudantes, praticamente toda a população escolar, obrigou ao hastear da bandeira nacional, primeiramente, no mastro à entrada da Escola, e mais tarde, no edifício da Câmara Municipal, percorrendo as principais artérias da cidade, parando em frente dos principais organismos públicos, num estado de alegria estonteante, cânticos e palavras de ordem. No período da tarde, os estudantes regressaram às suas casas.

No meu caso particular, o acompanhamento frenético dos acontecimentos, continuou a ser seguido através da Rádio e da RTP, em companhia de amigos messinenses mais velhos, lutadores antifascistas de longa data, conforme vim a saber mais tarde e que me começaram a ensinar o verdadeiro e complexo alcance das operações militares e das movimentações populares em todo o país. Iniciou-se para mim, e para muitos mais, nesta madrugada libertadora do 25 de Abril de 1974, a aprendizagem da Liberdade e da Democracia.

( Texto e foto publicados originalmente na edição de abril de 2001)

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