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O risco do sucesso

Há umas semanas, num evento de empreendedores de tecnologia e da área criativa da região do Algarve, ouvi algo que me deixou a reflectir. Quando confrontado com a questão de se alguma vez pensou em instalar a empresa no Algarve, um dos empreendedores indicou que dificilmente o faria, dado que o Algarve não lhe proporcionava condições para crescer o negócio e indicou mesmo que começava a achar que mesmo Lisboa lhe começava a parecer “pequena”. O receio parece-me legítimo.

O sucesso, aparentemente, é tão malicioso como o insucesso.

Será que todo o empreendedor tecnológico de sucesso estará fadado a ter de mover a sua empresa numa sucessão de locais, de Lisboa a Londres e acabando em Silicon Valley nos EUA? E mesmo as empresas mais “tradicionais”, estarão destinadas a localizarem-se nos polos mais desenvolvidos?
As empresas, ao crescerem, sentem necessidade de expandirem tanto fisicamente como em termos de mercado e podem mesmo transportar as suas sedes para outros destinos, com todas as consequências sobre o emprego e a economia local que tal acarreta.

O grande exemplo de start-up (uma empresa de base tecnológica) portuguesa de sucesso, a Farfetch, um website de venda de produtos de luxo, tem a sua sede em Londres. Visto isto, que esperança terão as vilas e concelhos mais interiores do país em desenvolverem-se economicamente, se as empresas de sucesso que cultivam acabam por irem para outras paragens?
Esta constatação representa um desafio para todas as regiões, concelhos e locais do país: como manter as empresas de sucesso nos locais que as viram nascer?

Pressuponho que a resposta a esta pergunta tenha várias soluções. Há efetivamente empresas de sucesso que acabam por ficar nos locais de origem e criam valor e emprego para o seu concelho; empresas que acabam por se tornarem “campeões” e que acabam por atrair, pela sua força, outras empresas para o local. Um bom exemplo português é a Delta em Campo Maior: uma grande empresa que acaba por se tornar incontornável quando se refere a zona de origem. É verdade que há empresas de renome que teriam sucesso em deslocarem-se para outras zonas, mas que tal não acontece devido à vontade dos seus acionistas e gestores em manterem a atividade no local de origem.
Mas descurando a “carolice” ou a teimosia local, é inevitável a necessidade de politicas públicas de atração e manutenção de empresas nos concelhos e freguesias.

O Algarve tem de estar aberto para o negócio. E a única forma de emitirmos essa mensagem é termos empreendedores bem sucedidos a terem os seus negócios no Algarve.

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