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Passos, Lázaros, Ramos na Páscoa estamos

Ao pensar sobre o tema, para esta minha reflexão mensal, nesta Sexta-feira Santa, dei por mim a pensar neste, tradicional, provérbio muito dito em Silves.
Seguramente, para nos ajudar a contar o tempo. Seguramente, para nos recordar que dos Passos à Páscoa, pouco tempo demora e que, tal como tudo, o tempo foge e quando mesmo esperamos já estamos num novo ciclo.

De facto, este ano estive em Silves pela Procissão dos Passos, ancestral em Silves, imponente noutros tempos e hoje, ainda, marcante. Sei que dirão que não sou muito destes actos públicos de fé, mas desta vez, ainda, que por algum tempo, acompanhei esta cerimónia.
Ao percorrer algumas das ruas da nossa cidade, devo confessar que fiquei triste. As ruas por onde, lentamente, passámos são testemunho de um progressivo despovoamento com o consequente abandono dos imóveis. Casas vazias, casas sem telhados e, até mesmo, casas desmoronadas. É este o trágico cenário que se oferece a quem se propõe acompanhar os Passos de Jesus até ao Calvário.

Olhei para a cidade e interroguei-me se haverá uma estratégia para o futuro da mesma, e do Concelho. Uma cidade que, lentamente, definha, com um comércio cada vez mais esmoler.

Um casco histórico, progressivamente abandonado, onde o Castelo e a Sé são os únicos polos de atractividade. Mesmo aqui, em abono de uma análise objectiva, teremos de referir que a “âncora” é dada, unicamente, pelas duas edificações referidas, já que não há actividades suficientemente catalisadoras ao longo do ano que gerem um afluxo de turistas que garanta o necessário estímulo para a economia local. Dir-me-ão “Há a Feira Medieval”! De facto há a Feira, mas parece-me pouco para uma cidade e para um Concelho como Silves. Quanto a este ponto gostaria de saudar o Município por ter reconhecido mérito ao meu último artigo sobre o tema “Feira Medieval” e ter traduzido alguns dos meus reparos e alertas em normas do Regulamento da Feira Medieval, agora em consulta pública.

Mas regressando a Silves, resta-me adicionar ao “caldo “ do parágrafo anterior, que os maiores empregadores são o Município e as IPSS’s. Tudo isto me parece a receita perfeita para o desastre.

Recordo que a Senhora Presidente, no início do seu mandato, salientou a necessidade da elaboração de planos estratégicos, sobretudo o do turismo. Mas, quase, três anos volvidos nada aconteceu. Parece que navegamos ao sabor da maré, sem saber bem o que queremos. Dir-me-ão, “estamos a elaborar o Plano de Acção de Regeneração Urbana de Silves (PARU de Silves)”. Correcto, mas aqui apenas estamos a dar condições para que o “Município e privados possam candidatar-se a fundos comunitários do Portugal 2020, de modo a desenvolver e implementar diversas acções de regeneração e revitalização da cidade” (vide http://www.cm-silves.pt/pt/destaques/1609/camara-municipal-de-silves-elabora-plano-de-acao-de-regeneracao-urbana-de-silves.aspx). Mesmo assim, não posso deixar de sentir o mesmo que sentia: onde está a estratégia que enquadra toda esta acção? Que quer o nosso executivo camarário para o futuro deste Concelho e desta cidade de Silves? Que meios vão afectar para esse fim? Para onde vamos?
Três anos depois, não há um vislumbre de uma estratégia consequente e coerente para Silves. Gere-se o dia-a-dia, sem olhar para o futuro! Seguramente, daqui a um ano irão surgir muitas ideias, muita estratégia, muitas concretizações que ficaram no ar, mas que não irão acontecer. Daqui a um ano (pouco falta, como diz o adágio que me trouxe a esta reflexão), em plena pré-campanha tudo acontecerá, mas o ar das eleições tem destas coisas: é inspirador de tudo!

A todos votos de uma Santa Páscoa!

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