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ESPECIAL 25 DE ABRIL DE 1974 – “O Meu 25 de abril”

ESPECIAL 25 DE ABRIL – “O Meu 25 de abril”especial 25 de abril imagem

O 25 de abril representa para todos nós, como colectivo, um dia extremamente importante para a história do nosso País. Símbolo da liberdade e da democracia este dia marcou-nos a todos de forma diferente. E hoje, passados tantos anos, a leitura que se tem feito da história do nosso passado recente, nem sempre é coincidente ou pacífica.

 

Mas onde estávamos nós em abril de 1974? O que fazíamos?
No mês de abril de 2001, na edição nº 12, o Terra Ruiva foi investigar no sótão das memórias de alguns colaboradores.
Descobrimos que alguns não tinham ainda nascido; outros eram muito pequenos e não têm qualquer memória desta data; outros estavam a começar a entender e tomar posição.
Recuperamos agora e voltamos a publicar (por vários dias) os textos da edição nº 12, e as fotos dos colaboradores, datadas de 1974.

Mas lançamos também um desafio aos leitores – onde estava em abril de 1974? O que fazia?
Também queremos publicar a sua memória.

Conte-nos a sua história e envie-nos a sua foto da época. Neste “Especial 25 de abril de 1974” voltamos 42 anos atrás e recordamos um dia diferente e a esperança que nos moveu.

Na secção do nosso site “Página Aberta” publicaremos os textos recebidos, com a devida identificação do autor.

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7 Comentários

  1. Apesar de ter sido já publicado noutro local, permita-se-me que replique, nesta notícia, o comentário abaixo, visto que é o seu espaço natural.
    Completam-se, este ano, 42 anos, desde a manhã radiosa do dia que devolveu a Liberdade ao povo português.
    Tive a sorte de ter estado no lugar certo e no momento certo, para poder acompanhar e sentir a alegria de testemunhar os momentos decisivos, que, embora periclitantes e incertos, de início, cedo se definiram, com o apoio massivo do povo nas ruas, para uma vitória clara sobre a ominosa ditadura que nos oprimia.

    Esse teria sido para mim mais um dia de trabalho, igual a tantos outros.
    Porém, ao desembarcar, na estação fluvial, junto ao Terreiro do Paço, estranhei a ausência do trânsito intenso habitual, àquela hora da manhã.
    Já no Terreiro do Paço, compreendi que algo de grave se passava, devido às inúmeras viaturas militares pesadas e de grande poder de fogo que ocupavam a praça.

    Apercebi-me de um jovem capitão, mais ou menos da

  2. minha idade – que, mais tarde, vim a saber ser o capitão Salgueiro Maia -, que deambulava, de um lado para o outro, dando ordens, e mostrava ser o comandante daquela coluna militar.
    Ao largo, no Tejo, reparei igualmente numa fragata que passava, repetidamente, de um lado para o outro, sempre em frente da Praça do Comércio, a qual – sei hoje – estava do lado das forças do regime e cujo comandante deu ordem de fogo contra a coluna de Salgueiro Maia, o que não ocorreu, porque o marinheiro artilheiro se negou a obedecer, facto que, a ter sucedido, poderia ter alterado todo o curso dos acontecimentos.

    Cedo soube que era um golpe militar contra o regime, que estava em curso.
    A partir daí, foi um calcorrear toda a Baixa, em busca de mais novidades.
    Da Baixa, desloquei-me à Rua António Maria Cardoso, a Rua da Pide, tendo tido a sorte de já lá não estar, quando os pides abriram fogo sobre o povo, provocando algumas vítimas mortais entre os civis.

    Depois, bem, depois, todos os caminhos

  3. foram dar ao Largo do Carmo, onde se situava o Quartel General da GNR, transformado em núcleo da decisão do golpe militar e local em que se dizia se tinha acolhido Marcelo Caetano, o Presidente do Conselho, designação do PM, ao tempo, e para lá eu me dirigi.
    No Largo, não cabia uma agulha, como sói dizer-se.
    A determinada altura, correu o boato de que o Largo poderia ser atacado por um helicanhão, notícia, cuja veracidade sabemos hoje ter sido real, só que contou com a oposição de Marcelo Caetano, que quis evitar um banho de sangue.
    Porém, nem um de nós arredou pé.

    Com a finalidade de pressionar Marcelo Caetano a render-se, Salgueiro Maia colocou Chaimites frente ao Quartel da GNR, exortando-o, por mais do que uma vez, a entregar o Poder, após cujo silêncio apontou uma metralhadora ao edifício e disparou uma rajada de aviso.
    Depois desta prova de força, Marcelo, que se opunha a que o Poder caísse na rua, informou o comandante da força, Salgueiro Maia, que o entregaria

  4. ao General Spínola, o que veio a acontecer, ao fim de algum tempo, quando este militar se deslocou ao quartel.
    Após a rendição, Marcelo foi levado, dentro de um Chaimite, para o Aeroporto da Portela, de onde partiu para o Brasil.

    De notar que o verdadeiro herói, o grande Capitão do 25 de Abril, aquele que esteve presente nos principais momentos decisivos e que, na rua e junto do povo, determinou o rumo dos acontecimentos foi Salgueiro Maia, o mesmo, a cuja viúva o sinistro Cavaco, enquanto PM, negou uma pensão, concedendo-a, de seguida, a dois biltres da Pide.
    Este pequeno episódio mostra, à saciedade, o perfil fascizóide de Cavaco Silva e a sua aversão visceral ao 25 de Abril.
    Por tudo isto, é totalmente reprovável e incompreensível a condecoração da Ordem da Liberdade que Marcelo Rebelo de Sousa lhe atribuiu.

    A Democracia e a Liberdade não são definitivas.
    São como plantas nossas amigas, que carecem de ser, permanentemente, regadas e cuidadas, porque têm muitos inimigos.

    • Tudo o que o José Domingos disse eu subscrevo mas a revolução dos cravos não se fez só na rua do Carmo e muito menos na rua António Maria Cardoso, mais lhe digo a corveta da marinha só não abrio fogo porque estava estrategicamente colocado junto ao Cristo-Rei um Canhão de alto Calibre e a fragata foi avisada do perigo que seria eles dispararem , mais digo eu próprio estive 4 dias praticamente sem comer eu e os meus acamaradas de armas e estive ainda com uma antiaérea a vigiar o espaço aéreo mais o nosso comandante teve que ser detido pois era do contra, eu só soube do que se tratava as 10 da manhã do dia 25 por um morador que nos foi dar a novidade ,
      de lembrar que o BC5 se situava juntinho á EPL ao cimo do Parque Eduardo Sétimo e perto do Palácio da Justiça há mais mas um dia se falará.

      UM Militar de Abril em serviço na altura No Batalhão de Calçadores 5

  5. Tudo o que o José Domingos disse eu subscrevo mas a revolução dos cravos não se fez só na rua do Carmo e muito menos na rua António Maria Cardoso, mais lhe digo a corveta da marinha só não abrio fogo porque estava estrategicamente colocado junto ao Cristo-Rei um Canhão de alto Calibre e a fragata foi avisada do perigo que seria eles dispararem , mais digo eu próprio estive 4 dias praticamente sem comer eu e os meus acamaradas de armas e estive ainda com uma antiaérea a vigiar o espaço aéreo mais o nosso comandante teve que ser detido pois era do contra, eu só soube do que se tratava as 10 da manhã do dia 25 por um morador que nos foi dar a novidade ,
    de lembrar que o BC5 se situava juntinho á EPL ao cimo do Parque Eduardo Sétimo e perto do Palácio da Justiça há mais mas um dia se falará.

    UM Militar de Abril em serviço na altura No Batalhão de Calçadores 5

    • Caro Sequeira, aceito, agradecido, todas as achegas que poderem ser aduzidas de mais aspectos do feliz acontecimento que foi o glorioso 25 de Abril, em que os actores (a grande maioria deles anónima) foram múltiplos, quer do foro militar, quer civil.
      Concordo inteiramente que não tenha sido apenas o Largo do Carmo o único local decisivo para a vitória que o Povo Português alcançou, nesse dia inesquecível, sendo que tão-só quis significar que foi um dos lugares determinantes para o bom êxito da Revolução.
      O principal de tudo é que conseguimos derrubar a ditadura de uma elite infame e odiosa, cujos efeitos muitos de nós (entre os quais, eu próprio) sentimos na pele, fosse pela segregação económica no acesso ao Ensino e à Cultura, fosse pelo barramento total de horizontes para a vida.
      A mim, caro Sequeira, deixou-me, como herança e ferramenta para o futuro, apenas a 4ª. classe, por ser originário de uma família pobre e humilde.
      Obrigado pela achega.

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