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A democracia americana

Donald Trump ganhou no Nevada, mais uma vitória para o candidato mais improvável da campanha americana. A política americana é complexa, uma miscelânea de cruzamentos para se chegar à escolha final do presidente, é um processo demorado e intricado. As máquinas partidárias trabalham os seus candidatos até ao pormenor, tudo está pensado e analisado.
Tudo menos Trump. Trump é imprevisível, incrivelmente populista e, surpreendentemente, agregador da América branca e conservadora. O próprio Partido Republicano não estava à espera da tempestade que Donald Trump trouxe consigo.
Os Estados Unidos são, em si, complexos, um país que foi construído por emigrantes, e que hoje volta as costas aos seus emigrantes. Que ironia! Trump faz uma campanha populista, não é mais que ele próprio, retrógrado e conservador, defensor de ideais medievais que tanto agradam ao interior americano. Tem claramente definido o seu público-alvo, não é político mas sabe como apelar aos desejos das pessoas. Tudo abona a seu favor nos Estados Unidos, a população branca e cristã regozija com a personagem que Trump é, acabrunhados que estão com o medo do domínio latino (que já é das maiores comunidades de origem estrangeira nos Estados Unidos).
Donald Trump personifica tudo aquilo a que a política chegou, o populismo e a palhaçada, um candidato que nem é levado a sério, mas que, no entanto, tem possibilidades de vencer uma das mais importantes eleições presidenciais do mundo. Sendo o papel dos Estados Unidos da América conhecido e notório na esfera geopolítica, é difícil imaginar a catástrofe que seria existir um presidente americano como Trump. A sua visão do mundo é feita de estereótipos e preconceitos perante a diversidade e a diferença.
Para a Europa e para os ideias que por cá se defendem, parece quase impensável negociar com uma personagem que faz lembrar o Tiririca brasileiro.
Trump pode ser um palhacinho na arena política, mas o seu perigo é real. Com a sua inconveniência chega ao coração dos estados mais conservadores, prova disso são as suas mais recentes vitórias, que há um mês atrás pareciam quase ficção. Opiniões controversas como o encerramento da fronteira com o México, ou mesmo a construção de um muro nessa mesma fronteira, bem como a própria expulsão de emigrantes, fazem de Trump um grande perigo.
A história está repleta de indivíduos que apelavam ao orgulho nacional através de medidas polémicas, e bem se sabe o quão mal correu. Um povo que eleja Trump como seu representante é um povo que acredita na morte da política, tal como a conhecemos.

A Res Publica romana há muito que se perdeu, tão evoluídos que somos tecnologicamente, tão pobres que nos tornámos de espírito.

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