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Sedentarizar os nómadas

Sempre que se fala da economia do Algarve, um dos pontos mais sublinhados é a nossa exagerada dependência no turismo de “sol e mar”. Os diversos relatórios apontam para a necessidade de diversificação da nossa base económica, tanto em termos de outras atividades económicas, como em termos de outros tipos de turismo, por razões de combate à sazonalidade que o turismo tradicional envolve e para uma maior resiliência do tecido económico algarvio.
E é verdade que temos assistido à ascensão de novos tipos de turismo no Algarve, embora de forma tímida, tais como o turismo de saúde, ornitologia e mais recentemente o caravanismo.

Na nossa demanda por novos tipos de turismo, creio que vale a pena considerar os chamados “Nómadas Digitais” enquanto possíveis clientes de turismo do Algarve.

Quem são estes “Nómadas Digitais”, afinal? São indivíduos, normalmente licenciados e formados, jovens entre os 20 e os 35 anos, que utilizam as novas tecnologias de telecomunicações para trabalharem remotamente a partirem de qualquer sitio. São normalmente profissionais do sector criativo: designers, programadores, escritores; indivíduos que podem efetuar o seu trabalho de forma independente em qualquer sitio, necessitando apenas de um computador, uma ligação de internet e tendencialmente, um contínuo fornecimento de café. Estes indivíduos privilegiam a flexibilidade e a qualidade de vida, trabalhando muitas vezes em espaços de co-work e outros ambientes temporários, nos quais partilham experiências e ideias com os seus pares.
A democratização da internet e a crescente globalização da sociedade promoveu o aparecimento destas profissões menos centradas na localização física e mais focadas no espaço virtual. Esta intangibilidade e esta virtualidade trazem todo um leque de desafios à nossa região, mas também oportunidades potencialmente lucrativas.
Estes indivíduos procuram espaços com qualidade de vida, que proporcionem temperaturas amenas e confortáveis. Procuram localizações com atividades de diversão diurna e noturna com que possam ocupar os seus tempos livres e espaços de trabalho confortáveis com uma boa ligação de internet. Ora todas estas atividades podem ser proporcionadas pela região do Algarve, de forma exemplar.
A nossa região apresenta condições privilegiadas para podermos atrair estes “Nómadas Digitais”; temos praias e espaços de diversão fantásticos; a nossa infraestrutura de comunicação é bastante adequada e temos os hotéis e os espaços de alojamento.
Começamos a ver o aparecimento no Algarve dos tais espaços de co-work, espaços de escritórios partilhados, e inclusivamente, temos algumas residências criativas estabelecidas por Autarquias. Temos um aeroporto internacional a uma distância mínima. O que precisamos no Algarve é a noção de que todos estes elementos se podem juntar e oferecer um produto de qualidade a estes “Nómadas”. E quem sabe, talvez uma parte destes “nómadas” decida sedentarizar-se e manter a sua atividade permanentemente no país. Numa altura em que se reclama a atração de investimento estrangeiro e a procura pelo empreendedorismo de alto valor qualificado, talvez a forma de criar valor para o tecido empresarial algarvio possa advir do turismo.

Um exemplo disso é o facto do Paddy Cosgrave, coordenador do Web Summit, ter escolhido Portugal para o seu grande evento de empreendedorismo digital; o irmão estava a trabalhar em Lisboa e ele veio visitá-lo e ficou encantado. Precisamos de atrair estes geeks para o Algarve.

Afinal, o que há para não gostar no Algarve?

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