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Reading: Sector da Juventude da CMS a fazer “magia”
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Terra Ruiva > Sociedade > Educação > Sector da Juventude da CMS a fazer “magia”
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Sector da Juventude da CMS a fazer “magia”

Paula Bravo
Última Atualização: 2016/Mar/Qui
Paula Bravo
10 anos atrás
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Na Câmara Municipal há um grupo de pessoas que desenvolve um trabalho para um público alvo cada vez menos definido, os jovens do concelho de Silves. Trata-se do Sector de Juventude.
Mas, hoje em dia, o que é ser jovem? “Trabalhamos para um público que já não é criança mas ainda não é adulto”, diz Rute Santos, a coordenadora.

Estávamos em 2008, quando foi lançado o conceito “Geração S” – “ um geração sorridente / sólida / surpreendente”. A juventude começava a ganhar visibilidade dentro da estrutura da autarquia. O objetivo era/é proporcionar aos jovens do concelho mais ferramentas para a construção do seu projeto de vida, favorecendo o acesso a mais e melhores oportunidades.
As linhas mestras do trabalho deste grupo, que agora se encontra autonomizado em Sector, permanecem as mesmas. “Temos tido alguns altos e baixos, mas tem havido uma continuidade e tem havido um esforço para reforçar algumas intervenções, tendo em conta os recursos logísticos, humanos e financeiros, para que possamos desenvolver projetos para os jovens adquirirem algumas ferramentas para as escolhas de futuro e de caminhos saudáveis, que lhes possam dar novas experiências e novos contactos”.

Sofia Cavaco, Aldo Alexandre, Andreia Branco e Rute Santos ( da esquerda para a direita)
Sofia Cavaco, Aldo Alexandre, Andreia Branco e Rute Santos ( da esquerda para a direita)

 
Atualmente, o Sector trabalha com diferentes eixos de intervenção, dinamizados por Rute Santos, Andreia Branco, Aldo Alexandre e Sofia Cavaco e Fernanda Gonçalves (ausente no dia da nossa reportagem).

 

 

 

 

 

 

Projeto Trans (Formar)

O Projeto Trans (Formar) é um projeto piloto que está a ser desenvolvido com uma turma de alunos “mais complexos” da EB 2.3 Garcia Domingues, em Silves. Dinamizado por Andreia Branco e Aldo Alexandre, procura criar dinâmicas educativas, junto de grupos juvenis problemáticos, “fugindo à educação formal”, diz Aldo Alexandre. Trabalham-se as dinâmicas através de teatro, expressão dramática.
No caso concreto desta turma, a mesma é composta por 14 alunos, do sexo masculino, todos referenciados pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens do Concelho de Silves. “Como os próprios reconhecem, são as ovelhas ronhosas da escola”, diz Andreia Branco. A estes alunos, a quem a educação formal pouco importa, a participação nestes espaços de 60/90 minutos, onde discutem à vontade várias problemáticas e as suas dificuldades, num contexto aberto, tem proporcionado que os mesmos, através da “sinceridade” colocadas nos debates e nos relatos das suas vivências, acabem por “reconhecer a sua própria vida”. Os resultados positivos têm surgido e são igualmente “reconhecidos pela escola”.
As “questões das alterações na família, a crise económica, a crise de valores, são todas situações potenciadoras” de variados problemas. Os jovens de hoje em dia deixaram de ter “as etapas normais de desenvolvimento” diz Andreia e “ muitos perderam a noção do que é certo e errado. Acham normal o namorado tirar o dinheiro à namorada e esta ficar sem comer, ou controlar-lhe o telemóvel. Há uma regressão por causa da crise de valores”.
A violência no namoro é uma das questões abordadas em sessões promovidas por este Sector, a par da toxicodependência, da sexualidade, da internet e de outras, próprias do universo juvenil.

Jovens cidadãos

Também a área da Cidadania tem sido trabalhada pelo Sector de Juventude da CMS. A expressão mais evidente deste trabalho tem a ver com a criação e desenvolvimento da Assembleia Municipal Jovem que atualmente é coordenada por Sofia Cavaco.
O objetivo é sensibilizar os jovens para as questões da cidadania e intervenção pública. Anualmente, reúne-se a Assembleia Municipal Jovem, composta por vários jovens selecionados nas escolas do concelho, a par de um coordenador de cada escola, e tendo como tutor o presidente da Assembleia Municipal de Silves. Além de visitarem os serviços municipais, ficando a conhecer os sectores e o trabalho da autarquia, os jovens deslocam-se depois à Assembleia da República ( numa visita marcada para dia 16 de março). No final, a Assembleia Municipal Jovem, presidida pela sua presidente, Beatriz Baptista, da Escola Secundária de Silves, reunirá em sessão ( dia 19 de abril), durante a qual irão abordar e discutir os problemas identificados pelos seus membros, bem como as propostas de resolução para os mesmos.
De referir que este trabalho não terá apenas uma componente teórica. Á semelhança do que aconteceu no ano passado, algumas das propostas apresentadas “serão estudadas e trabalhadas e incluídas no orçamento participativo, da Câmara de Silves”, como explica Sofia Cavaco.

Projeto Jovens Artistas do Concelho

Este ano, 53 jovens estão inscritos para participar na Audição Jovens Artistas 2015/2016 que irá realizar-se no dia 28 de março, no âmbito da iniciativa Março Jovem e do Projeto Jovens Artistas do Concelho.
A ideia base deste projeto é a criação de uma Bolsa de Jovens Artistas do Concelho de Silves, onde os jovens com talento nalguma área, da literatura, à música, e outras sejam identificados e integrados em atividades promovidas pela autarquia.
Trata-se de dar visibilidade a estes jovens e aos seus talentos, mas, mais do que isso, explica Rute Santos, nas audições, é feita uma espécie de triagem, durante a qual se confirma o empenho que estes têm em trabalhar. Ou seja, diz, “ não é um casting” é antes um programa que “aposta na formação”.
Por essa razão, no decorrer do “Março Jovem”, os jovens inscritos terão oportunidade de participar em diversos workshops com o objetivo de criar algumas bases para desenvolvimento dos seus talentos. O desenrolar deste processo criará, por si só, uma “espécie de filtro”, permanecendo apenas aqueles que estão verdadeiramente empenhados em desenvolver as suas capacidades. Dos 60 jovens inscritos no ano passado, somente cerca de 20 permaneceram envolvidos. Alguns desses já começaram a participar em concertos e iniciativas organizadas pela autarquia “para pequenos públicos, para irem ganhando experiência e confiança”.
Para os jovens que queiram participar nas audições de 2017, basta contactarem o Sector de Juventude, as inscrições estão permanentemente abertas.

Várias ações
Além destes projetos destacados, o Sector de Juventude desenvolve outras ações de sensibilização com para diversas entidades, e projetos com outros sectores, como é o caso do Projeto Gerações Improváveis, em parceria com o Sector da Ação Social e que pretende fomentar o convívio entre diferentes gerações.
Presta também apoio ao associativismo jovem, nomeadamente no que se refere ao PAJU (programa do município), e ajuda no preenchimento das candidaturas ao programa de arrendamento Porta 65 Jovem.
É da sua responsabilidade o certame “Mostra Escolhas Futuro” que reunirá ( este ano no dia 31 de maio, na Fissul), um conjunto de entidades que irão evidenciar a oferta formativa existente no Concelho e na Região, e organiza as iniciativas no âmbito do “Março Jovem” e do “Dia da Juventude”.
No fundo, o que aqui se procura “é dar respostas sociais à juventude”, como diz Andreia, e ajudar os jovens a “definirem objetivos concretos para a sua vida”.
“A maior parte dos miúdos não sabe o que quer da vida, sabem que querem ter um bom emprego, que querem ter dinheiro, um bom carro e um bom estatuto social, mas não são capazes de estabelecerem objetivos concretos, de definirem o caminho para lá chegar”, afirma Rute Santos.
Assim, uma das grandes preocupações deste grupo de trabalho é o de conseguir ir adaptando as suas ideias e projetos à realidade. “Os serviços têm que se adaptar à juventude, o que acontece hoje em dia é muito diferente do que acontecia há 5 ou 6 anos, há uma série de fenómenos novos e temos que estar em dia e saber como atuar”, diz Andreia.
Ainda que com “poucos recursos”, o Sector de Juventude da Câmara Municipal de Silves aposta em fazer a diferença. Citando a frase de Andreia Branco: “magia é poder fazer a diferença”.

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PorPaula Bravo
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nascida em 1963. Licenciada em Comunicação Social. Desde 1986, trabalhou em vários órgãos de comunicação nacionais e regionais. Dirigente associativa. Fundadora e diretora do Terra Ruiva desde abril de 2000.
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