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As Feiras e Mercados no Concelho de Silves

Nos Paços do Concelho, em Silves, encontra-se patente, até ao final do mês de março, a Exposição do Arquivo Municipal com o tema “As Feiras e Mercados no Concelho de Silves “.
A exposição é acompanhada de fotografias e documentos.
Como habitualmente, o Terra Ruiva colabora com esta iniciativa do Arquivo Municipal publicando uma versão reduzida do texto da exposição. A versão integral está disponível aqui: Documento do mês_As feiras e mercados no concelho de Silves

As feiras e mercados no concelho de Silves

As feiras e mercados são uma das tradições mais emblemáticas que se realizam nos concelhos. Perde-se nos tempos as suas origens…
Tiveram desde sempre uma elevada importância, não apenas devido ao incremento económico como também pelo seu contributo na circulação de ideias e do conhecimento de outras culturas. Adquiriram um particular relevo durante a Idade Média a tal ponto que para a sua proteção as primeiras cartas de feira foram mencionadas nos forais atribuídos pelos reis, entre os séculos XIII e XV, com o objetivo de atrair gentes para a região.

A feira mais antiga realizada no concelho de Silves é a Feira de Todos os Santos, criada em novembro de 1491 quando o rei D. João II confere a Silves a sua “Carta de Feira”, passando esta a se realizar desde 1492.
Foi concebida à semelhança da feira de São Francisco, de Tavira, beneficiando de todas as isenções e com a mesma duração, de 49 dias. Inicialmente a Feira de Silves realizava-se de 1 de setembro a 19 de outubro (véspera do dia de Santa Iria), mas em meados do século XVI passou a realizar-se de 31 de outubro a 2 de novembro. A este importante certame acorriam mercadores de todo o Algarve e Baixo Alentejo.
A outra feira mais antiga da cidade é a Feira das Cruzes, que ocorre no dia 3 de maio, no entanto desconhece-se a data da sua criação. A referência mais tardia sobre a mesma, data de 1828, e encontra-se numa deliberação da Câmara.

Por Provisão Régia, em 1825, foi criada a Feira de Nossa Senhora da Saúde, na freguesia de S. Bartolomeu de Messines, nos dias 20, 21 e 22 de setembro.

Na sessão de 6 de agosto de 1840, foi “apresentada huma representação da Junta de Parochia do Algos, que pede em nome dos habitantes d’aquella freguesia a criação de huã feira de trez dias nas Vargem do Palmeiral”.
Dois anos depois, foi apresentada outra representação da mesma junta, pedindo em nome dos habitantes do Algoz, que fosse criada uma feira de três dias denominada de S. Luís. A Câmara concordou, sendo o local destinado o sitio do Palmeiral.
Em dezembro de 1854, o Governador Civil de Faro, António Maria Couceiro, promoveu um inquérito às Câmaras Municipais sobre as feiras que se realizavam em cada concelho.
Dando resposta ao solicitado, o administrador do concelho de Silves, a 19 de dezembro de 1854, remeteu “a inclusiva nota de todas as feiras que se fazem neste concelho” e informou também quais os produtos comercializados.

“Assim, a 3 de maio, tinha lugar a feira das Cruzes, onde se comercializavam gados (vacum e suíno), madeiras, lojas de “fazendas seccas e de chapéus” e ferragens”. Na feira de N.ª Sr.ª da Saúde, em S. B. Messines, nos dias 20, 21 e 22 de setembro vendia-se “gados (vacum, lanígero, caprino, suíno e cavalgaduras), bem como, cereais, legumes, frutas, madeiras, lojas de fazendas “seccas” e chapéus, ourives, arames e ferragens”.

Estes mesmos produtos também ocorriam na Feira de Todos os Santos de Silves.
No concelho ainda ocorriam as vigílias de “São Lourenço dos Palmeirais, freguesia de Pera, a 10 de agosto; Sr.ª do Carmo em Alcantarilha, no domingo imediato ao dia 25 de julho; e Sr.ª das Dores em Pera, no domingo imediato a 15 de agosto. A finalizar o ano havia ainda os mercados dos porcos, nos dias 19 e 20 de dezembro, em S. B. Messines, e no dia seguinte em Silves”, também conhecido como Feira da Barreira.

Cinco anos depois, na sessão de Câmara a 5 de outubro de 1859, por proposta do Sr. Presidente, João Gregório Mascarenhas Netto, foi criado em Silves, na praça da Cidade, um mercado semanal, aos domingos, sendo o terceiro domingo de cada mês destinado à venda de gado, no Largo da Ponte.

No final deste mês, a 26 de outubro, foi presente à sessão de Câmara uma petição dos habitantes da freguesia de Algoz, pedindo a alteração da data da feira, tendo sido deliberado “A feira estabelecida no Povo do Algos e que costuma ter logar no dia 25 de Septembro de cada anno, fica mudada para o dia 29 do mesmo mês denominando-se feira de S. Miguel do Algoz”.

A 2 de abril de 1898, deliberou a Câmara “fazer a mudança da feira que se realiza no ultimo Domingo do mez de Maio nos suburbios de São Bartholomeu de Messines do Sitio das Fontainhas para o Sitio da Aldeia Ruiva”.

Sob a presidência de Manuel Lopes dos Reis, em 1875, foi deliberado criar a feira de Pera, “no Domingo immediato ao dia 15 d’agosto e na véspera desse Domingo, designando para a mesma feira o sitio das Vargens proximo do poço de Pera”.

Na sessão de 29 de março de 1876 o Vereador João do Carmo Mendes “demonstrou a conveniencia e necessidade do estabelecimento d’um mercado de generos e gados de todas as especies no segundo domingo do mez de septembro de cada anno, no sitio das Varzeas proximo ao povo d’Alcantarilha”. A Câmara deliberou “util e conveniente”.

Em 1879, foi presente ofício da Junta da Paróquia de São Marcos da Serra “demonstrando a necessidade e conveniencia da criação d’uma feira ou mercado anual na referida freguezia, onde os seus habitantes possam concorrer a comprar e vender os seus productos agricolas e gados, evitando assim o incommodo que lhes traz o concorrerem ás feiras que lhes ficam distantes e a dificuldade de levarem os seus generos e gados, em consequencia dos máos caminhos da Serra e das ribeiras que teem d’atravessar”. A Câmara achou “conveniente o estabelecimento da mesma nos dias quinze e dezasseis do referido mes de septembro”.

Até ao final do século XIX o concelho de Silves contava com cerca de quinze certames, distribuídos entre feiras anuais, realizadas em diversos locais do concelho, e o mercado semanal em Silves. Com a viragem do século novas feiras e mercados foram criados, havendo várias alterações.

Em 1909, por proposta do Vereador Remexido, foi deliberado “criar um mercado mensal no povo de S. Bartholomeu de Messines”, devendo “o mesmo realisar-se no primeiro domingo de cada mez e no local denominado a Cruz Grande”.

No início do ano de 1910, por proposta do Vereador Aníbal Marreiros deliberou a Câmara “crear um mercado mensal no povo do Algos”, no “segundo domingo de cada mez, no largo do Poço da mesma povoação”.
A 9 de maio de 1921 foi tido em consideração o abaixo-assinado apresentado pelos habitantes de Armação de Pera para “a criação d’um mercado mensal naquela povoação”.
No ano de 1922, sob presidência de Francisco António Sant’Ana, foram criadas mais duas feiras, uma em Alcantarilha e outra no Algoz, e um mercado mensal em Alcantarilha.

Um mês depois, é apresentado um ofício da Junta de Freguesia de Alcantarilha “pedindo a criação d’um mercado mensal na povoação d’Alcantarilha, que se realisará no primeiro domingo de cada mes, tendo o seu inicio em tres de Junho próximo”.

A 30 de maio de 1922 foi criado mais um certame na povoação do Algoz “que deverá realizar-se nos dias nove e dez do mes d’Agosto de cada ano”.

Em 1927 a Comissão Administrativa da Câmara Municipal propôs a criação de mais duas feiras anuais, uma em Tunes a “realisar em dezoito de setembro” e outra na cidade de Silves a “realisar nos dias tinta e um de Julho e um de Agosto” e em 1933, a criação em Armação de Pera uma feira anual “considerando que no dia quatro de Julho é grande a afluência de pessoas que pela tradição do dia visitam a praia desta localidade”.

A 13 de setembro de 1948, foi deliberado mudar os dias das feiras anuais que habitualmente tinham lugar ao domingo para a segunda-feira.

A Câmara de Silves deliberou, em 1956, “criar um mercado mensal na povoação de Tunes, a realizar na primeira segunda feira de cada mês” e em 1960 a “criação duma Feira Franca em São Marcos da Serra nos dias 28 e 29 de junho”.

Para efeitos de regularização das datas de todas as feiras e mercados do concelho, foi apresentada, na reunião de 30 de dezembro de 1960, uma proposta com o calendário definitivo. A proposta foi aprovada por unanimidade e com ela ficaram definidos os mercados e feiras do concelho de Silves.

Ao longo dos últimos duzentos anos o concelho de Silves contabilizou cerca de vinte e oito certames, repartidos em feiras anuais, mercados mensais e semanais. Algumas destas feiras desapareceram com o passar dos tempos outras viram a data de realização alterada.

Bibliografia: http://www.sulinformacao.pt/2013/11as-feiras-no-algarve-de-hoje-e-as-de-meados-do-seculo-xix – Aurélio Cabrita

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Um Comentário

  1. A feira das Cruzes era uma referência para os trabalhadores agrícolas. Pois o povo tinha uma monomonica que era assim :” as Cruzes dão e as Luzes tiram” . As Luzes era uma referência à festa de Nossa Senhora da Luz de Lagoa.
    Isto porque quando se trabalhava de “sol a sol” pelas Cruzes passava a haver 2 horas para o “jantar “, que começava às 14 horas e acabava às 16. Situação que era retirada pela feira da Luz, de Lagoa.

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