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A feira acabou

Os apregoadores da qualidade de suas próprias fazendas descansam desiludidos, no cansaço de tanta verbosidade, quantas vezes sem interesse, ineficaz. E o que melhor pensou a publicitação, vendeu e lucrou, não poderá, nem pensar, sentar-se e descansar, cheio de si próprio. Qual história ilusória! Luzes de uma nova época estão, por aqui e por ali, a surgirem, e as velhas estão se apagando. Até as antigas cartilhas já não estão a dar para encantar, impor, salvar…

Na área municipal, -aliás, não só-, vão se notando realizações de evolução de que todo o país está faminto. Por exemplo, no nosso concelho, a sua Câmara Municipal: o seu interesse pela educação, de quanto as escolas públicas são importantes em qualquer comunidade para o desenvolvimento de todos, mesmo de todos e que tão mal têm sido cuidadas e ajudadas, verdadeiramente, na orientação, na atenção aos professores, aos alunos, ao futuro do país; a sua decisão de abrir portas, no Casino de Armação de Pera, a mais atividades, em grande projeto técnico e cultural, além do artesanato, dito Artes e Ofícios do concelho, que nele já tem o seu lugar, que bem deverá manter-se, no mesmo edifício; também a sua decisão, já realizada, de reunir em Assembleia Municipal Extraordinária, em Silves, Fissul, no dia 18 de janeiro próximo passado, com a ordem de trabalhos “O Estado do Município.”
Boas decisões e realizações em qualquer concelho do país!
Nesse campo, já está indo a ativa ação de Ricardo Pinto, Presidente da freguesia de Armação de Pera, com o apoio da Câmara Municipal de Silves. E quanto a essa sua ação, tem sido expressiva!
Recorde-se as atividades culturais e desportivas, levadas a efeito por si, no último verão, na freguesia, e até de ordenamento da mesma; e a “Festa de Fim de Ano”, última, que muita gente levou a Armação de Pera. E voz corrente é, que teve boa organização e agradável qualidade.
Ergamo-nos em ação e que nunca mais se deixe de ouvir: -São aqueles seres/vagos, facilmente cativados/por palavras meditadas/ para o engodo,/em expressão estudada/ para o pretendido;/apaixonados sem profundidade/marimbados para a reflexão e ação:/tendo por comadres, a inveja,/a bisbilhotice, a dormência;/que se lixe quem não teve sorte/de se governar a tempo;/e dizendo-se, ufanos, descendentes dos Lusitanos./Imagine-se o elogio que dão/ a tal povo que é dito/ de gente firme e lutadora./ Mas, sem monumento escrito, apenas,/ afirmações em objetos artesanais e outros,/Achados em buscas arquitetónicas,/ e feitos sei lá em que idades./E disso só se começou a falar no século XV, dizem./Canções de embalar, de encantar,/conforme a conveniência,/ a necessidade escondida,/do interesse escondido/rei e senhor, sempre.
O nosso poeta Sá de Miranda deixou, a síntese em verso de nós em que temos de crer e ser: “Homem de um só parecer/de um só rosto, uma só fé/De antes quebrar que torcer.” Embelezar-nos-íamos, de certeza.

Que seja mantido o artesanato do concelho, no lugar que já ocupa, no Casino de Armação de Pera ou em devido lugar, no mesmo edifício. Artesanato é arte popular de tempos muito, mesmo muito antigos, criação espontânea do povo, inspirada nas suas tradições, vivências, sentires. Seja ela respeitada! E não o é, se é vendida, misturada com a de outras regiões, nacionais ou estrangeiras, sem ser especificado,- Compra lá, vende cá, sem trabalho, nem problemas e de lucro garantido- é engano para quem adquirir os objetos, sabe-se lá com que sentimento; e desrespeito pelas criações dos povos, assim, as suas criações misturadas e não especificadas e nem distinguidas, como deve ser.

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