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Compromisso pessoal de mudança II

Dando continuidade ao tema de partilha do mês anterior, recordo algumas ideias aí referidas. Para realizar um processo de mudança pessoal é preciso entender este mecanismo e criar uma estratégia para substituição do comportamento inadequado por outros hábitos que sejam válidos para a pessoa como um todo, e que satisfaçam as necessidades inconscientes que possam existir.
É necessário que a pessoa realize um esforço de autoconhecimento, análise e meditação. Através deste processo, o individuo poderá percorrer um caminho que o levará a operar as mudanças necessárias na sua vida. Identifiquemos então algumas etapas que é necessário identificar e ultrapassar:

Etapa Um – identificação do comportamento a ser modificado. Nesta primeira fase, é preciso que a pessoa identifique o comportamento específico que deseja mudar (ex: parar de fumar), de forma que possa controlar os resultados posteriormente em relação às mudanças. Para facilitar o processo, é necessário que divida o problema em pequenas porções e realize as mudanças de maneira específica para cada pequeno comportamento, em vez de tentar realizar uma grande mudança de uma única vez. Se for resolvendo uma de cada vez, dentro de suas possibilidades, em pouco tempo terá o problema, como um todo, solucionado. Da mesma forma, as mudanças devem ser realizadas da mais fácil para a mais difícil, para que a noção de autoeficácia e motivação seja maior e a mudança geral seja realizada.
Assim, as tarefas desta etapa são: Definir a mudança que se quer realizar; Ser específico, procurando modificar comportamentos menores inicialmente para, gradativamente, fazer mudanças mais profundas; Dar um nome específico à mudança que se deseja fazer; Concentrar-se em uma alteração cada vez.

Etapa Dois – Entender o comportamento e o propósito no contexto da sua vida. Nesta etapa é necessário analisar o comportamento em relação ao contexto geral da sua vida, procurando encontrar as razões para a ocorrência do mesmo em alguma outra área não diretamente relacionada com esse comportamento. É preciso refletir calmamente e descobrir algum propósito disfarçado para o comportamento inadequado. Por exemplo, uma pessoa que se alimenta excessivamente precisa entender o que significa este comportamento. Existirá alguma espécie de ganho indireto para esse hábito indesejável? A partir de uma análise à sua vida como um todo, a pessoa pode descobrir de que forma o comportamento “comer em excesso“, tem um propósito e representa algum ganho em outra situação ou área da sua vida.
Na medida em que tenhamos várias opções de comportamentos, estaremos a dar à nossa mente, mais alternativas e, portanto, novas formas para realizar o mesmo propósito. Quando temos várias opções para alcançar o mesmo objetivo, o natural é que possamos utilizar a alternativa que seja mais fácil e menos prejudicial.

Assim, as tarefas desta etapa são: Entender o comportamento inadequado; Identificar o propósito ou a intenção positiva do comportamento em determinados contextos.

Na próxima edição do jornal continuaremos a nossa partilha sobre este tema. Até lá…

A vida, que parece uma linha recta, não o é. Construímos a nossa vida só nuns cinco por cento, o resto é feito pelos outros, porque vivemos com os outros e às vezes contra os outros. Mas essa pequena percentagem, esses cinco por cento, é o resultado da sinceridade consigo mesmo.

José Saramago – La Vanguardia (1997)

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