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Democracia

Não me canso da democracia, mas ando cansado de tanta campanha, tanta análise, tantos analistas, na sua essência iguais, revelando meias verdades quase sempre antagónicas. Apetece-se gritar: «Sossego, porra!». Ambiciono um governo a governar, espero em proveito de todos (o que é impossível) ou pelo menos em benefício da esmagadora maioria da população, e uma tomada de posse do Presidente da República que seja rápida e sem mais demoras, para acabar com o permanente reality show. Todos atingimos um elevado grau de asco ao atual inquilino do Palácio de Belém que, na minha humilde opinião, há muito tempo que não é o presidente de todos os portugueses (se é que alguma vez o foi), e um nível de cansaço que desligamos desta maneira de viver a política. Eu não quero desligar da democracia, quero outras gentes na cidadania.
A democracia é isto, mas a ausência de democracia é pior. Elegemos os políticos de sempre para as políticas de sempre sem qualquer rasgo nem sonhos de futuro. O presidente eleito (PR em versão design) será a continuidade de todos os anteriores, mantendo na sua essência a sociedade portuguesa tal como a conhecemos nos últimos anos. Isto é mau? Não sei, mas sei que desesperamos na busca de novas soluções políticas capazes de fazer emergir de novo a esperança de futuro e nada acontece. Não acontece em Belém nem em São Bento, tudo são pequenas mudanças que vão redesenhando o presente sem romper com o estilo da escrita ou da pintura.

Não temos políticos audazes. Metade da população já os considera todos iguais (e talvez tenha razão) e por isso brinda-os no ato eleitoral com uma crescente abstenção. Todos os analistas examinam os números da abstenção como uma fragilidade da democracia, mas ninguém se importa, ninguém envolve os eleitores na eleição, na própria democracia. A ausência dos cidadãos cresce e a mediocridade dos protagonistas políticos aumenta, quem sabe se na mesma proporção. Começo a ficar distante e, mantendo os princípios e o direito de votar, indiferente com o rumo do meu país.

Em quem podemos acreditar?

Sinto um desespero crescente na população do nosso concelho por nada acontecer de verdadeiramente importante ou diferente. Os índices económicos, sociais (assumindo como parâmetros de desenvolvimento) e de felicidade de Silves mingam a cada ano, estamos cada vez pior, faltam-nos voos de asa. A gestão repete as anteriores receitas populistas e premeia os fiéis da doutrina com cargos públicos. Acho mal? Até não, mas acho que deviam assumir que com eles os lugares são para os do aparelho e não tentarem mascarar essa opção com a suposta valorização curricular do candidato.
O mais importante é a democracia!

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