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Business as usual

Depois de um longo ciclo eleitoral, iniciado o ano passado por ocasião das eleições legislativas, eis que chegámos ao seu termo com a eleição do Presidente da República.
Estas últimas eleições trouxeram novidades bastantes interessantes, sendo a primeira um aumento do número de candidatos, o que, em abstracto, será bom, pois mostra uma cidadania activa, interessada e participante. Doutra parte, o modelo de campanha eleitoral seguido pela maioria dos candidatos, veio colocar em causa o tradicional modelo de campanha existente. Não houve o excesso de outdoors, de cartazes colados por todo o lado, de papéis pelo chão, de carros de campanha a circularem sem destino, nada disso. Aliás, parece que quem apostou no anterior modelo viu os seus resultados reduzidos.
Por fim, mais surpreendente, as ligações dos candidatos aos partidos funcionaram mais contra o candidato do que a seu favor. Novamente os resultados eleitorais parecem confirmar esta tendência. Marcelo Rebelo de Sousa, apareceu só, teve um, tíbio, apoio formal dos dois partidos de direita, e visto por todos os outros candidatos como um alvo a abater. Aliás o grande lema de campanha de todos os seus oponentes era impedir que o “candidato da direita” ganhasse à primeira volta. Os eleitores não desejaram tal!
Mas até onde podíamos vislumbrar, o vencedor das eleições não foi uma surpresa muito grande. Aliás, as surpresas vieram de outros quadrantes. Sampaio da Nóvoa consegue um resultado “normal”; Marisa Matias afirma-se a si e ao Bloco, como uma força política de peso; Maria de Belém, surge quase como uma expectável vítima de um implacável aparelho político; e Edgar Silva, com o claríssimo apoio do PCP, veio a ter um resultado acanhado e muito aquém daquilo que seria o eleitorado daquele partido.

Descendo ao Concelho de Silves, onde o candidato apostou numa campanha presencial (até onde percebi o único a vir a este Concelho). Seguiu-se toda a liturgia das campanhas: divulgação da visita do candidato a Silves; visita à Senhora Presidente da Câmara nos Paços do Concelho, compreensível por ser a única autarca algarvia eleita pelas listas da CDU; arruada com tambores, almoço, cumprimentos a todos, distribuição de material de campanha, outdoors e stand-ups. Mas, se olharmos para os resultados vemos uns magros 830 votos (no Concelho inteiro) para Edgar Silva. Parece-me pouco para quem apostou tanto neste Concelho, e onde o executivo pertence à mesma força partidária.

Não posso deixar de notar que o célebre Tino de Rans conseguiu um resultado admirável. Mas aqui não deixo de me interrogar se por mérito próprio (pois não apresentou nenhuma ideia para o seu mandato), ou se por descontentamento e contestação ao próprio sistema.
Por fim, metade dos portugueses optou por não se manifestar e este dado é deveras preocupante pois revela o desinteresse de meio Portugal, nas decisões que a todos nos afectam. Deixar que os outros falem por nós é sempre um risco.
O

certo é que Portugal tem de regressar, urgentemente, ao regular funcionamento das instituições e à serenidade que o seu funcionamento e relações entre si exige. Os tempos que se avizinham, serão tudo menos fáceis, e pouco dados a experimentalismos ou aplicação de medidas populares que redundam num futuro por nós vivido num passado bem próximo.
É tempo de Portugal se unir e olhar de frente para os seus problemas, assumindo que os quer resolver a sério.

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