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Ano novo, esperança renovada

Entramos em 2016 com uma série de certezas, quase todas positivas.
Claro está que tirando os normais aumentos desta quadra (e não me refiro ao peso de cada um), a grande surpresa foram as medidas que o novo governo veio introduzir na nossa frágil economia.
Teremos o salário mínimo aumentado, os cortes na função pública irão ser, progressivamente, retirados, as taxas moderadoras também serão mexidas e, claro, pelo menos, quatro feriados irão regressar. Como música de fundo de tudo, dão-nos a certeza que a austeridade está por dias.
O sol entrou nas nossas vidas e tudo se irá compor. Parece ser assim que o ano de 2016 se apresenta a todos. As perspectivas são altas, por isso esperemos que o grau de concretização seja também elevado.

Também a nível local nos surgem bons indicadores de que tudo se irá desenrolar com agradável normalidade e expectável êxito. Senão vejamos: tivemos um orçamento aprovado dentro dos prazos previstos; este executivo viu aprovado um pedido de empréstimo na ordem dos quatro milhões de euros para efectuar obras; todas as divisões estão providas com chefes de divisão, que, até onde se pode concluir, merecem o apoio e estão prontos a dar corpo às políticas deste executivo; e, por fim e não menos importante, teremos um plano estratégico para a cultura e outro para o turismo (tendo estes sido promessas da senhora presidente há mais de um ano). Logo parece-nos que estão reunidas todas as condições para que haja sucesso também a nível local.
Obviamente que, se tudo isto se conseguiu, é também fruto de uma oposição responsável e segura dos seus objectivos para este Concelho. É bem verdade que a situação faz a oposição e a inversa também é verdadeira. Tivessem outros executivos tido este reconfortante respaldo da sua acção e mais, muito mais, se teria conseguido.
Mas este é um dos custos da democracia (oposições responsáveis e coerentes), a par do pagamento de senhas de presença aos vereadores da oposição. Poderá parecer estranho para muitos, mas esta foi uma das principais reclamações da política inglesa do séc. XIX para todos os deputados. Pois só assim se garantiria que todos, e não apenas os mais ricos, pudessem ser voz de todos. Aliás, este desiderato deveria ser ponto de honra para todos os executivos, sobretudo os comunistas que sempre foram paladinos destas medidas de capacitação do povo. Mas este assunto, por si só seria um bom tema para esta coluna, pelo que me dispenso de trazer aqui por agora.

Por fim, dia 24 de Janeiro de 2016, teremos eleições para a Presidência da República. Votar é dos mais elevados actos de cidadania, fruto de um regime democrático activo e maduro.
Se por um lado é motivo de esperança termos 10 candidaturas, muitas de cidadãos sem fortes (ou sem nenhumas) conotações partidárias, por outro, constatamos que os debates entre estes candidatos oscilam entre o ataque pessoal e a pacata conversa de café. Não me parece frutuoso para os portugueses, reduzirmos a troca de ideias à casuística discussão de aprovar, ou não, o orçamento rectificativo, ou o próximo orçamento de estado (que ninguém conhece). Choca-me mais que a comunicação social afine por este diapasão e não entre por caminhos mais elevados do debate político, onde todos possam expor, claramente, como pretendem exercer o seu magistério enquanto Presidente da República.

Sei que estes tempos que se avizinham são incertos e inseguros, por isso a escolha para este lugar terá se recair em alguém que nos surja como um factor de estabilidade e de moderação. Alguém que conheça a fundo o funcionamento das nossas instituições que saiba fazer pontes e estabelecer consensos. Daí que seja importante votar, sempre!

2016 poderá não ser o ano que nos prometem, mas será sempre um bom ano desde que nenhum de nós se demita da sua acção.
Feliz 2016

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