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Espumante, passas e mudanças

A passagem de ano é o momento mais esperançoso do ano. O encerrar de um ano é percebido como um fecho de um capítulo e este traz consigo a esperança de um futuro mais radioso. Fazem-se resoluções de ano novo; menos peso, mais exercício, mais dedicação à família ou ao trabalho, a promessa de mudar algum aspecto que queiramos alterar. O inicio do ano de 2016 não se afastou deste caminho, não só a nível individual, mas também colectivo.

Entramos no novo ano com um governo acabadinho de sair do forno, ainda sem ter tido tempo de empreender qualquer mudança de relevante e com uma matriz ideológica aparentemente diferente da anterior. O mês de Janeiro introduzirá inevitavelmente um novo Presidente da República, com a votação a ter lugar no final do mês. Novos atores, novo ano, novas direções. Pelo menos, é o que se espera.
E curiosamente, não é só em Portugal. Os ventos da mudança assolam o resto da Europa. Espanha também irá ter, com maior ou menor dificuldade, um novo governo no inicio deste ano. A Polónia acordou com um partido da extrema-direita obter a vitória nas eleições parlamentares no final de Outubro, derrotando o partido anteriormente no poder. Os próprios debates sobre política económica têm vindo a alterar-se. O enfâse obsessivo no equilíbrio das finanças públicas e da parcimónia na gestão do erário público têm sido substituídos nos últimos meses pela discussão de políticas de crescimento e de estímulo económico. Onde antes se bradavam as virtudes da balança comercial superavitária, agora se ouvem murmúrios sobre a importância do consumo interno.
Agora, e embora seja fácil enveredarmos por entusiasmos com a mudança que tanto esperamos, é importante mantermos os pés assentes na terra. Primeiro, a mudança por si não é nem um fim em si próprio nem necessariamente benéfica por si. Acompanhando a vaga da progresso deverá estar sempre um juízo moral e ético, que a avalia. Não podemos aspirar ao futurismo, reclamando que a marcha imparável do progresso trará inevitavelmente benefícios à humanidade. Segundo, nenhuma renovação apressada alguma vez se enraizou firmemente na terra. Poucas são as resoluções de ano novo que perduram durante a duração pretendida, mesmo devido à sua radicalidade. As verdadeiras mudanças, aquelas que perduram, detém duas características: progressividade e resiliência.

A progressividade remete para a importância de fazermos as coisas passo a passo, de forma a criar uma habituação. A resiliência significa que uma vez decididos a mudar, investiremos e perseveremos nessa dita mudança, não deixando de ter em mira o nosso objectivo. Tal é verdade para nós, tanto enquanto indivíduos, tanto enquanto sociedade.

E lembremo-nos de que qualquer mudança sempre traz consigo algum inconveniente. Mesmo quando é para melhor.

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