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O ano da geringonça e do macaco

Começámos o ano de 2016 depois de várias piruetas no mundo político e partidário. Foi-se a tradição, veio a “geringonça” como lhe chamou Paulo Portas, o jornalista que se tonou político e agora (consta que) se tornará empresário.
2016 será o ano em que o governo nascido da aliança da esquerda, a tal “geringonça”, terá de provar que é possível um caminho diferente, que havia/há alternativa à tradição e ao empobrecimento do país e dos portugueses.
Entramos no novo ano e não temos orçamento de Estado. Sinal dos tempos, o dito orçamento está em Bruxelas, para aprovação. Primeiro “eles”, depois nós. Aguardemos, lá para março estará aprovado.

Para já, sabemos que teremos um novo presidente da República e um novo presidente do CDS. Jerónimo diz que ainda se sente “com forças para continuar”, e Passos Coelho só sairá empurrado, para já não se vê por quem, embora o PSD fale em mudanças para atravessar o período de oposição pelo tempo que Costa conseguir segurar as esquerdas e as fações do seu próprio partido.
Certo é que em 2016 iremos contribuir para o Banif e para o Bes e para o que mais se há de ver… Haverá comissões de inquérito, claro, e falaremos de milhões, muitos milhões.
Dos tais milhões que não há para a saúde, mas há para a banca. Ou para o futebol, que meio país ainda está boquiaberto com os acordos de milhões que os clubes anunciaram. Não há dinheiro em Portugal?
Aparentemente, só não há para situações verdadeiramente importantes – como por exemplo pagar a equipas médicas para estarem nos hospitais, cumprindo o mesmo horário que os acidentes e as doenças súbitas…
Nesta espécie de previsão de ano novo, temos como certo o aumento de preços em vários produtos e bens, numa espécie de fatalidade que é difícil de compreender. Mas pagamos bem e continuaremos a pagar muito em 2016.

Para quem não pensa que os políticos são todos iguais e todos ladrões e que, consequentemente já tudo foi dito e esclarecido, uma das grandes expetativas para 2016, é a de ver que caminho trilhará a justiça portuguesa no que se refere ao caso Sócrates. Será uma vergonha e um grande golpe para a Justiça se não se provar a culpa do ex-primeiro ministro e igualmente uma vergonha se o mesmo for culpado.
No dia a dia, seremos cada vez mais pressionados para a escolha de uma “vida saudável”. Anuncia-se uma série de alimentos e produtos quase milagrosos… a par de maravilhosos avanços na medicina… e na tecnologia com ela relacionada…

“Fortes emoções e mudanças galopantes” é o que promete o horóscopo chinês para 2016, anunciado como o Ano do Macaco. Já a Unesco juntou-se a várias organizações para designar este ano como o “Ano Internacional do Entendimento Global”. A FAO – organismo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação elegeu 2016 como o Ano Internacional das Leguminosas ( vistas como alimentos saudáveis, baratos e que podem contribuir decisivamente para o combate à fome). Alinhada com esta ideia, a Assembleia da República declarou 2016 como Ano de Combate ao Desperdício Alimentar.
Como o facto mais negativo já registado em 2016, escolho o anúncio da Polónia querer aprovar novas leis com o objetivo de controlar os meios de comunicação públicos. Para já, a Europa ainda discute que medidas irá aplicar mas a concretizar-se esta intenção no seio da Europa comunitária será mais um duríssimo golpe para a democracia já tão amputada.
Como o facto mais positivo registado em 2016, elejo a festa de final de ano em Armação de Pêra, que colocou, com sucesso, esta praia e a localidade no roteiro das atividades de fim de ano no Algarve. Não sendo possível concorrer com um destino como Albufeira, é possível, com grande empenho da Junta de Freguesia e de um conjunto de entidades locais e o apoio da Câmara de Silves, fazer uma festa como o concelho precisava… e merecia!

Neste primeiro texto de 2016, no regresso ao trabalho depois de uns dias diferentes, sente-se ainda no ar aquela boa vontade, sentimo-nos num novo ano e dizemos uns para os outros, este ano vou…
Daqui a 12 meses se verá como correu o ano da geringonça, e que resoluções de 2016 repetiremos em 2017, com toda a convicção “agora é que vai ser”!

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