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Estranho

Vivemos estranhos tempos, neste início de século.
Olhamos para o mundo e vimos, sem qualquer margem para dúvidas, que um enorme muro invisível se levantou entre nós e um estado, que ninguém sabe muito bem onde fica, mas que todos sabem bem o poder da sua acção destruidora. Assalta-me uma dúvida, como se destrói aquele estado, cujos membros habitam ao nosso lado, e connosco partilham uma nacionalidade? Como se destrói esta ideia que nada tem a ver com religião?
Creio que são proféticas as palavras de Malala Yousafzai, Prémio Nobel da Paz no ano de 2014, quando refere que “o melhor modo de lutar contra o terrorismo e o extremismo é fazer uma coisa simples: educar a próxima geração”.

A Educação e, no meu modesto entender, a Cultura parecem ser as chaves determinantes para combater este terrível flagelo que a todos assalta.

Aproveitado que estamos neste ponto, cultura, não posso deixar de saudar o Município de Silves pela apresentação do relatório da XII Feira Medieval de Silves, assunto que, ao longo deste dois últimos meses, tenho vindo a mencionar.
Não me irei debruçar, detalhadamente, sobre o mesmo, tanto mais que o município, seguindo uma política de transparência, publicou o mesmo no seu site, pelo que convido todos a lerem-no. Porém, não posso deixar de notar alguns pormenores, que no meu primeiro texto deixei no ar e que pensei ver esclarecidos.
Conseguimos saber que a Feira Medieval deu lucro, o que em si é positivo e salutar, porém, não conseguimos perceber como os 113 339 bilhetes diários e pulseiras referidos, apenas geraram uma receita de 146 947€ (volto a recordar que o valor mínimo unitário era de 2,00€, pelo que o valor deveria ser, pelo menos, de 226 678€). Será que houve assim, tantos bilhetes oferecidos? É, no mínimo, estranho, no entanto é o que os factos nos revelam.
Ficamos, também, a saber que o câmbio real, distribuição de bebidas e roupeiro, foram entregues a associações. Contudo, apenas sabemos com maior detalhe o referente à situação referente do roupeiro, em que o município recebeu o valor de 1 640, 25€, correspondente a 25% da receita gerada. No entanto, as contas do câmbio e distribuição de bebidas, não são apresentadas, o que não deixa de ser estranho.
Aliás, o mesmo se diga quanto aos patrocínios, em que não nos é dito quanto cada patrocinador concedeu ao evento, sendo apenas apresentado um valor único total. Novamente, alguma estranheza neste facto.
Este evento é, de facto, uma referência no contexto da programação de Verão na região e uma marca deste Concelho que importa preservar, mantendo a sua identidade e referencial. Porém, creio que, ao apresentarmos este tipo de relatórios, e tendo havido tanto tempo para efectuar um documento profissional, se deveria ter mais cuidado nestes pormenores.
Constatei também que, o município de Silves, mesmo dando apoio à candidatura de Lagoa a Cidade do Vinho 2016, veio a apresentar candidatura própria ao mesmo evento (o que é estranho, conceder apoio a outra candidatura e depois concorrer contra). Soube-se ontem (24.11.2015) que Lagoa foi a escolhida. Silves prontamente saudou tal vitória, dando conta que tinha ficado com uma menção honrosa. Não ganhou mas algum mérito teve.
Silves, com os seus 11 produtores de vinho (que creio terem sido ouvidos e seguramente grande entusiastas desta iniciativa), acompanhará de perto esta oportunidade e saberá o executivo encontrar caminhos de divulgação deste produto de grande qualidade produzido no nosso território.
Olhando para este texto, apenas posso concluir: tempos, mesmo, muito estranhos.

A todos um bom Natal, esperando que este seja apenas um tempo de Paz, cada vez mais estranha nestes dias.

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