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A cultura e a política

 

 

Luisa Conduto siteA cultura, no seu sentido mais intenso, define e diferencia os indivíduos e as suas comunidades, continuando por vezes a ser um baluarte de elites, porque o efeito transformador de 41 anos de democratização da cultura ainda não teve tempo de se fazer verdadeiramente sentir na sociedade portuguesa, ficando por debater: o que é que a política pode fazer pela cultura, tendo presente as expetativas criadas no período pós 25 de abril.

O deficit público, a crise económica, a dívida soberana, e as suas consequências na debilitada economia portuguesa, fizeram da cultura uma das vítimas mais visíveis, sendo que a fronteira entre cultura e entretenimento tem vindo a suavizar-se, perigosamente, provocando confusão de prioridades, em que o referencial de mercado, visa que a maioria dos projetos e dos seus valores só são válidos se existir uma evidenciada sustentabilidade económica.

É neste contexto, que o papel dos partidos políticos se revela elementar e certamente dependente da sua própria estabilidade e posição face ao modo como deve ser percebida, suportada e orientada a Cultura. Pois quando não fazemos investimento na Cultura e na Educação, estamos a comprometer todo um futuro de gerações.

O concelho de Silves não foge ao desígnio do país. Considera o executivo permanente (CDU), que embora o orçamento seja relativamente baixo, é fundamental que o investimento exista, e possa ser potenciado e complementado com parcerias locais (Associações, Coletividades, Clubes, Instituições, Escolas) e outros agentes da Cultura e as próprias Juntas de Freguesia, pois a Cultura não pode ser olhada apenas como programação de eventos, sendo um fenómeno mais profundo e alargado que se estende à Educação e outras esferas da atividade humana.

É neste sentido que temos vindo a trabalhar nestes dois anos de mandato.

Em fevereiro de 2015, foi lançada a agenda “Terras do Grés” que congrega toda a oferta cultural, educativa, desportiva, turística e social do concelho. A eficácia da comunicação é um fim, temos um caminho a percorrer, e esta apresenta-se como uma forma de envolver “os de cá” e “os de lá” e fazê-los convergir numa prática cultural, pelo que, para reforçar este meio comunicacional, foi lançado no Dia do Município (3 de Setembro de 2015) o novo sítio do Município de Silves na internet.

Em setembro lançamos pela primeira vez no concelho, passados os já referidos 41 anos de democracia, um documento pioneiro que dá a conhecer a oferta que a Câmara Municipal disponibiliza a toda a Comunidade Educativa, permitindo desta forma os primeiros passos para o conhecimento, a descoberta e o gosto pelo riquíssimo património cultural e histórico do concelho de Silves.

Defendemos o estabelecimento de uma política cultural ao serviço da comunidade e de promoção da cidadania, pelo que, a dinamização dos equipamentos culturais, a promoção dos agentes criativos locais, a defesa do património cultural, a democratização do acesso à cultura, o respeito pela diversidade estética, têm sido vetores referenciais seguidos pelo Município. Podemos afirmar que o Concelho de Silves começa agora a possuir uma oferta cultural ativa, diversificada e de qualidade, fruto não apenas do trabalho do Município mas de todos os agentes envolvidos.

O Teatro Mascarenhas Gregório, inaugurado em 2005 e aberto ao público passados 8 anos (em 2013), apresenta hoje uma programação teatral regular, assegurada pela companhia profissional de teatro “Al Teatro”, residente no concelho desde 2014. Implementou-se em 2015 uma linha de programação consistente, coerente, regular e diferenciada, constituída por vários ciclos temáticos denominados Cultura + , os quais focam não só aspetos identitários da cultura Silvense e Algarvia, como também temas contemporâneos, dotados de interesse, originalidade e atualidade, visando a consolidação de novos públicos. São exemplos disto o “Festival de Teatro 1.º ato” que decorreu de outubro a dezembro, e ainda “Os filhos da Terra também têm nome”, no do dia 19, dedicado às bandas de garagem dos anos 80 e 90 do Concelho de Silves.

A rubrica “Lado B”, que foi criada em 2014 e que pretende fomentar práticas regulares em rede no seio de vários equipamentos da autarquia e também em articulação com o meio associativo e as Juntas de Freguesia, trouxe ao longo dos últimos dois anos os mais reconhecidos músicos nacionais a Silves, Messines e Pêra. Este mês contámos com a presença de Pedro Barroso, na Biblioteca e no Teatro em Silves.

Durante o ano de 2015, a Orquestra Clássica do Sul realizou nas diversas freguesias do concelho, um total de 7 concertos de música clássica, de acordo com o protocolo estabelecido com o município, o qual contempla ainda a deslocação dos alunos das escolas a concertos pedagógicos comentados, realizados em Faro.

O Castelo de Silves recebe desde 2014, o “Sunset Secrets – Quintas do Castelo”, afirmando-se como evento regular de promoção turístico/cultural, que decorre durante os meses de verão, ao final da tarde, todas as quintas-feiras. Esta rubrica carateriza-se por concertos ao vivo, promoção dos produtos e produtores locais, espetáculos de dança oriental, divulgação da poesia luso – árabe e massagens de relaxamento. De referir que durante o mês de Agosto o castelo e o centro histórico, recebem a Feira Medieval de Silves, evento que atinge hoje uma dimensão nacional.

Ainda ao nível dos equipamentos culturais não podemos deixar de destacar a Biblioteca Municipal, o Museu de Arqueologia e a Casa Museu João de Deus, que desenvolvem uma programação consolidada. Nestes espaços museológicos e bibliográficos do Concelho, a componente educativa, virada para as escolas ou para as famílias, é uma importantíssima valência, sendo aqui realizada a formação e sensibilização precoces para as mais distintas áreas culturais, afirmando-se como um investimento seguro no futuro do Concelho.

Nesta vertente da oferta cultural e educativa, a Quinta Pedagógica, que sofreu nos últimos dois anos obras de melhoramento e requalificação, apresenta-se hoje como um importante polo para as atividades das escolas do concelho e do Algarve, realizando um programa de atividades regulares, onde se destaca pelo seu carater inovador, a “1.ª Semana da Proteção Civil”.

Não obstante o acima elencado, as atividades já anteriormente implementadas no concelho, foram merecedoras por parte deste executivo de uma atenção redobrada, no sentido de as valorizar e melhorar, proporcionando a sua consolidação, nomeadamente, a Feira Medieval de Silves, a Feira do Folar em S. Marcos da Serra e o Festival da Caldeirada e dos Petiscos do Mar em Armação de Pêra.

É certo que, a face mais visível da Cultura está nos espaços de acesso público, e nos eventos culturais e recreativos realizados. No entanto, existe sempre uma face menos visível à população, que se prende com a política cultural do município, e essa está claramente presente no apoio às Juntas de Freguesia e às associações do concelho, nos planos financeiro e logístico, pois estas promovem e expressam, a dinâmica das populações locais. Só desta forma, se consegue crescer culturalmente.

De referir que os apoios concedidos às associações são criteriosamente analisados e apoiados, num quadro realista e não assistencialista, por via dos programas de apoio.

O caminho não tem sido fácil, mas está a ser percorrido, tentamos fidelizar público e manter o equilíbrio entre a incorporação de novos conceitos culturais pelos munícipes e o respeito pela sua “cultura”, para que neste mundo dito globalizado, não se perca aquilo que nos distingue das populações dos restantes concelhos. A nossa Cultura!

Finalmente gostaria de agradecer, o privilégio que me foi concedido pelo Jornal “Terra Ruiva” na pessoa da sua diretora, Paula Bravo, para inaugurar este espaço de escrita livre, Jornal que tem sido ao longo dos seus quinze anos de existência um veículo da democracia cultural do concelho.

 

Luísa Conduto Luís

Vereadora da Cultura da CM de Silves

 

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