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Algoz assinalou o centenário da morte de Ataíde Oliveira

Na cerimónia de descerramento da placa, autarcas, membros da AC A e populares ( Foto CMS)
Na cerimónia de descerramento da placa, autarcas, membros da AC A e populares ( Foto CMS)

A vila de Algoz assinalou, nos dias 20 e 21 de novembro, o centenário da morte de um dos seus mais diletos filhos, Francisco Xavier de Ataíde Oliveira, que nasceu naquela localidade a 2 de outubro de 1843 e faleceu em Loulé a 20 de novembro de 1915.
A homenagem iniciou-se com o descerramento de uma placa comemorativa, pela presidente da Câmara Municipal de Silves, Rosa Palma, presidente da União de Freguesias de Algoz e Tunes, Sérgio Antão, e José Manuel Ramos, presidente da Associação Patrimonial do Algoz, que permite perpetuar a memória do notável monografista na casa onde nasceu, o número 31 da rua Tomé Rodrigues Pincho.
No dia seguinte o salão da Junta de Freguesia de Algoz compôs-se para ouvir os oradores Luís Guerreiro e Dias Marques abordar a vida e obra de Ataíde Oliveira, com a palestra intitulada “Francisco Xavier de Ataíde Oliveira, Jurista, Etnógrafo e Historiador”.
A sessão iniciou-se com as palavras de boas vindas proferidas pela vereadora da cultura da Câmara Municipal de Silves, Luísa Luís, que destacou a importância de assinalar a efeméride e em simultâneo rememorar tão ilustre personalidade, que muito honra o Algoz e o concelho de Silves, devendo envidar-se todos os esforços para que a sua obra não seja esquecida e que o seu exemplo de vida seja recordado pelas gerações mais jovens.

Seguiu-se a preleção de Luís Guerreiro, colaborador da Câmara Municipal de Loulé e investigador de história local, que apresentou pormenores inerentes à vida deste notável cidadão, com destaque para o período em que o mesmo residiu em Loulé. Referiu que Ataíde Oliveira formou-se em Teologia e Direito na Universidade de Coimbra, nunca tendo exercido o sacerdócio, mas ocupado o cargo de conservador do Registo Predial de Loulé. Pertenceu ao Partido Regeneredor, fundou o primeiro jornal publicado em Loulé, “O Algarvio”, e colaborou em dezenas de outros periódicos. Contudo, notabilizou-se na publicação de uma vasta bibliografia, com destaque para o estilo monográfico, numa época em que o Algarve estava praticamente isolado do resto do país e o acesso a arquivos e bibliotecas era extremamente complicado, tendo o seu labor sido difícil e extenuante. Ataíde Oliveira é considerado o maior monografista do Algarve e um dos maiores regionalistas de sempre.
Por sua vez, Dias Marques, professor da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve e membro do Centro de Estudos Ataíde Oliveira da mesma instituição, debruçou-se sobre a recolha da tradição oral empreendida por Ataíde Oliveira e publicada nas obras “As Mouras Encantadas e os Encantamentos do Algarve”, “Contos Infantis” e “Romanceiro do Algarve”. Evidenciou o seu pioneirismo nesta área, nomeadamente em relação à forma como os contos e romances tradicionais foram coligidos e transcritos, sem alteração da composição original, mantendo-se a fidelidade dos mesmos. Ataíde Oliveira recolheu mas não deturpou os textos compilados, nem se debruçou sobre a sua análise, o que lhe conferiu mérito e imprimiu rigor à sua obra. Dias Marques destacou que para as recolhas valeu-lhe uma boa rede de conhecimentos pessoais que possuia, em particular padres das freguesias e muito especialmente pessoas anónimas do povo, que se dirigiam ao seu gabinete de Conservador do Registo Predial, onde debitavam estórias, contos e tradições, em troca de alguns réis.
A cerimónia culminou com o alvitre deixado pelo prof. Dias Marques às entidades presentes, para se empenharem na reedição da obra de Ataíde Oliveira, que pode contar com a colaboração da destacada investigadora de literatura oral, a professora Isabel Cardigos. Dias Marques referiu que mais importante que a edificação de uma estátua (objetivo que a Associação Patrimonial do Algoz pretende concretizar), é a reedição da obra de Ataíde Oliveira, que permitirá elevar ainda mais o seu nome e destacar a importância de tão dedicado investigador, compilador e escritor algarvio.

Texto: Jorge Palma

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