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Balanço autárquico: a meio da corrida

A meio da corrida podemos fazer prognósticos? Arriscado… Ainda assim…

Enquanto escrevo, anda o país em polvorosa com a atuação de Cavaco Silva. Aqui, no concelho, passa discretamente o 2º aniversário da tomada de posse do executivo da presidente Rosa Palma.

Quando a equipa de Rosa Palma tomou posse, em outubro de 2013, deparou-se com três problemas centrais: teria de resolver os litígios com os bancos credores da Câmara (por conta da dívida ligada ao caso Viga d’ Ouro) antes de janeiro de 2014, sob pena da autarquia ficar completamente paralisada, por ação das limitações e regras impostas pela Lei dos Compromissos.

Teria, em segundo lugar, de empreender uma reestruturação de vários aspetos do funcionamento interno da Câmara, para atingir os objetivos a que se tinha proposto. Estamos a falar de uma autarquia que tinha um gabinete com mais psicólogos do que o Agrupamento de Escolas de Silves, e que ficou com as Piscinas Municipais encerradas durante meses após a passagem do tornado por não ter um seguro para o edifício. Era uma autarquia em que até os vereadores da oposição tinham dificuldade em aceder a documentos oficiais e disso se queixavam frequentemente. A considerar também o facto de uma grande parte dos funcionários da autarquia estar comprometida com velhos hábitos e lideranças de muitos anos de uma governação de um só partido, o que inevitavelmente (?) gerou diversos empregos para os “boys” e para as “girls”.

Por último, e não menos importante, teve que considerar a relação de forças existente no executivo camarário, onde a CDU não dispõe de maioria, e a complexidade das relações pessoais e políticas entre os membros do executivo. Vemos, por exemplo, que a 13 de novembro de 2013, ainda não passara um mês da tomada de posse de Rosa Palma, quando Rogério Pinto, autarca do PSD há mais de uma década, anteriormente vereador, vice-presidente e presidente da Câmara a questionar a recém-empossada presidente nestes termos: “para quando a remoção das águas pluviais na Rua do Alentejo e ruas adjacentes em Armação de Pêra?”

Limitada a sua ação por estes três fatores: constrangimentos financeiros; necessidade de reorganização dos serviços; instabilidade no executivo camarário, a próxima metade do mandato será decisiva para a equipa de Rosa Palma. O orçamento para 2016, cuja discussão estará a decorrer quando esta edição sair, será decisivo, uma vez que é um plano virado para o investimento e para a realização das obras que os presidentes das juntas e o executivo permanente consideraram prioritárias.

Se se cumprir a tradição, esta segunda metade do mandato será também a altura escolhida pelos partidos da oposição para “lançar” as personalidades que irão disputar a liderança da autarquia à CDU. Não sendo expetável que PS e PSD voltem a avançar com as candidaturas de Fernando Serpa e Rogério Pinto, já fracassadas nas urnas, o movimento de renovação interna nos partidos e na vereação terá de se mostrar a curto prazo. Já do lado do BE, que nas últimas eleições avançou com um candidato independente que atualmente está envolvido noutro partido político, haverá muito por decidir. Mas o resultado histórico alcançado nas eleições legislativas poderá dar igualmente um “empurrão” à renovação de quadros e rostos. Não será ainda de excluir a apresentação de uma candidatura de cidadãos, caso se alterem alguns dos condicionalismos que levaram ao fracasso do movimento que surgiu nas últimas autárquicas.

A nível nacional e local vivemos tempos decisivos. Para a equipa de Rosa Palma os dois próximos anos serão cruciais para alcançar os objetivos a que se propôs. Para os seus adversários, os dois próximos anos serão o necessário para se prepararem para novos desafios.

No final, os eleitores é que decidem.

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