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O Jardim Municipal de Silves e seu Coreto

Nos Paços do Concelho, em Silves, encontra-se patente, até ao final do mês de outubro, a Exposição do Arquivo Municipal que este mês tem como tema “ O Jardim Municipal de Silves e seu Coreto “.
A exposição é acompanhada de fotografias e documentos administrativos.Como habitualmente, o Terra Ruiva colabora com esta iniciativa do Arquivo Municipal publicando uma versão reduzida do texto da exposição no jornal e uma versão longa no nosso site.

O Jardim Municipal de Silves está situado no lado ocidental da cidade, no Largo da República, e é um espaço amplo e agradável, que começou a tomar forma enquanto jardim na década de 1920. Até então era uma zona arborizada, que se estendia desde o largo da Ermida de Nossa Senhora dos Mártires até ao barranco da Caixa de Água e Matadouro Municipal.
8 de abril de 1926 foi-lhe atribuído o nome de Jardim João de Deus, por deliberação da Comissão Executiva da Câmara. Por volta do ano de 1944, o desenho do jardim sofreu significativas alterações. O Engenheiro Jaime Silva foi o responsável pelo Projeto de Modificação do Antigo Jardim Municipal de Silves, concebendo um jardim com características românticas, de desenho naturalizado. Incluía um coreto, dois lagos e canteiros de recorte simétrico contendo uma grande variedade de plantas e flores multicolores e pequenos arbustos e vários bancos de jardim. Com o coreto deixa de ser necessária a montagem de coretos de carácter provisório para a atuação de bandas em diversos locais da cidade, como vinha a acontecer até então.

O Jardim João de Deus, também conhecido como jardim do Matadouro, devido à sua localização, sofreu duas mudanças de nome em menos de três anos. A primeira alteração ocorreu em 1945 quando a Câmara deliberou que o jardim desta cidade que o vulgo denomina Jardim do Matadouro, fique designado como se segue: “Jardim de 28 de Maio”. A mudança seguinte ocorreu, três anos depois, em 1948, quando foi deliberado que o Jardim seja denominado “Jardim Engenheiro Cancela de Abreu”, nome que mantem até à atualidade.

Verdadeiros ícones da cultura portuguesa e autênticas obras de arte, lembrando pequenas caixinhas de música, os coretos são construções em lugar central e de destaque de um jardim ou praça, geralmente em formato circular, rodeado por um corrimão e por uma cobertura mais ou menos trabalhada destinada a abrigar bandas de música em concertos.

O Projeto para um Coreto a construir no Jardim Municipal de Silves data do ano de 1950 e é da autoria do Engenheiro Carlos Filipe Pinto Pimentel.
Descritivamente, este coreto é de planta octogonal, simples e regular, com base em alvenaria e cantaria nos cunhais, munido de gradeamento rendilhado e colunas em ferro fundido. A cobertura é feita em chapa de zinco e assente em oito colunas de ferro. No seu interior há referência à existência de um poço, sendo as suas águas conduzidas, através de conduta, até um tanque existente no viveiro municipal. Estrutura com um encanto e simbologia própria e um enorme apelo estético muito semelhante a outros exemplares algarvios, nomeadamente ao Coreto de Loulé, Lagoa, Faro e ao de Portimão, que em 2009 inaugurou uma réplica do coreto demolido, em 1971.

Mesmo sendo um local para brincadeiras da juventude silvense e onde se ouvia as bandas filarmónicas da terra, e um ponto de referência para muitos silvenses, o coreto não teve vida longa, tendo sido retirado em data incerta, no final da década de 1950 ou início dos anos 60.

Ao longo dos anos o Jardim tem sido alvo de diversas intervenções, acentuando a simétrica do desenho, bem como a instalação de quiosques, bica de água e sanitários públicos. No ano de 1958, o Sr. Custódio Agosto Cabrita solicitou autorização para instalar um quiosque, denominado “Quiosque Custódio”.
Passados dez anos, requereu uma valorização do mesmo quiosque, completando-o com uma esplanada coberta e resguardada e uma passadeira de cimento, de modo a melhor servir a população que ali ocorre, quer os alunos da Escola Técnica, quer mesmo os Turistas Nacionais e Estrangeiros, não faltando também muitos cidadãos da própria cidade. Em 1970, o quiosque foi averbado para o Sr. José Inácio Cabrita, que acabou por arrendá-lo ao Sr. Florival dos Santos Guerreiro, no ano de 1973.

Em 1974, a Câmara prescreveu que os Serviços Municipalizados dotassem o jardim com uma bica de água adequada ao serviço público. Em 1977, a Vereadora D. Josefa Gonçalves Guerreiro mandou proceder à reparação dos lagos do mesmo jardim. Nesta sessão camarária também foi mencionado o mau estado dos pavimentos do Jardim, tendo deliberado a Câmara pedir orçamentos para a pavimentação do mesmo. No entanto, só quatro anos depois, em 1981, é que a obra de pavimentação foi executada.
Em agosto de 1982, a Câmara achou conveniente que fosse equipado com sanitários públicos.

Enquanto arrendatário do “Quiosque Académico”, famoso pelas suas “sandes de atum com cebola”, o Sr. Florival, a 19 de outubro do mesmo ano, pediu autorização para ampliar o quiosque, pedido que foi deferido.

Em 1986, a Câmara adquiriu o edifício do Quiosque ao proprietário José Inácio Cabrita pelo valor de 500 contos, continuando a exploração a ser feita pelo Sr. Florival e sua mulher a Sra. D. Maria Emília Cabrita Guerreiro, até à data do seu encerramento e posterior demolição, em 2010. E este não foi o único quiosque existente no jardim, havia um outro pertencente ao Sr. Francisco Bento Simões denominado “Quiosque Esplanada Jardim”, que ao longo dos vários anos também foi sofrendo obras de ampliação e melhoramento, até ao ano de 2000, altura em que deixou de ser explorado. Tendo sido removido, pela Câmara Municipal, em 2001.

Nos últimos anos o jardim tem sofrido apenas trabalhos de mera manutenção dos canteiros, de pintura ou substituição de madeiras nos bancos e mesmo os dois lagos já não se encontram em funcionamento há alguns anos. Este espaço, que outrora foi dotado de um coreto e de dois quiosques, neste momento não possui nenhuma estrutura de apoio e encontra-se estagnado.

A 3 de novembro de 2005 a Câmara Municipal celebrou um contrato de Prestação de Serviços relativos à elaboração do Projeto de Reabilitação do Jardim Cancela de Abreu com a firma Darquiterra, Arquitetura e Construção, Lda., cujo sócio gerente é o Sr. Arquiteto José Alberto Alegria, para apresentação de proposta arquitetónica de reabilitação urbanística/paisagística, que previa a construção de uma cafetaria com instalações sanitárias, de um coreto, de um espelho de água para um grupo escultórico, de duas fontes, pormenorização de novo mobiliário urbano, substituição de espécies vegetais e nova pavimentação e delimitação de canteiros. Todavia, até hoje, o mesmo não chegou a ser concretizado.

O Jardim Cancela de Abreu, enquanto espaço prazível, de convívio e lazer tem deleitado sucessivas gerações de silvenses. Assim sendo, é um local público por excelência onde todos os silvenses se devem sentir bem, queiram estar e passear, desfrutando das riquezas que lhes estão associadas e em articulação com os edifícios circundantes, nomeadamente o edifício do Antigo Matadouro Municipal e a renovada Escola Secundária de Silves.

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